Parlamento da Turquia autoriza ação militar na Síria

Vice-premiê afirma, porém, que medida não significa declaração de guerra; depois, diz que governo sírio pediu desculpas

iG São Paulo | - Atualizada às

O Parlamento da Turquia autorizou nesta quinta-feira uma ação militar contra a Síria, um dia após um morteiro sírio ter  atingido uma cidade turca na fronteira. A medida, aprovada por 320 votos a favor e rejeitada por 129 parlamentares, dá ao governo, por um ano, a autoridade para enviar tropas à Síria ou bombardear alvos no país vizinho.

O vice-premiê turco, Besir Atalay, afirmou que a medida não é um declaração de guerra contra a Síria, mas, sim, uma forma de tentar deter ataques do país vizinho. "Não é uma lei de guerra", afirmou Atalay, dizendo que a prioridade da Turquia é agir em coordenação com órgãos internacionais.

Pouco depois, Atalay afirmou que a Síria assumiu a responsabilidade pelo ataque e fez um pedido de desculpas formal, além de garantir que "um incidente similar não acontecerá novamente".

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AP
Imagem de 3 de outubro mostra ataque em Akcakale, cidade turca na fronteira com a Turquia

Atendendo a um pedido turco, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) deve se reunir para discutir a questão. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) fez uma reunião de emergência em apoio ao governo turco, na qual exigiu o fim imediato de atos agressivos por parte da Síria.

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Morteiros disparados do território sírio deixaram cinco civis mortos na cidade turca de Akcakale. As vítimas são duas mulheres e três crianças. Em retaliação, a Turquia fez vários ataques contra alvos sírios - na primeira ação deste tipo desde o início da revolta popular contra o presidente Bashar Al-Assad, que dura 18 meses.

Os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e a União Europeia condenaram o atentado em Akcakale. A Rússia, aliada de Assad, pediu que a Síria explique que o ataque foi um "trágico acidente" que não se repetirá.

Rússia e China já vetaram três resoluções do Conselho de Segurança da ONU que poderiam abrir caminho para um ação militar na Síria.

Na quarta-feira, o porta-voz da ONU, Martin Nesirky, disse a jornalistas que Ban conversou com o chanceler turco, Ahmet Davutoglu, e "encorajou o ministro a manter abertos todos os canais de comunicação com as autoridades sírias, com vistas a reduzir qualquer tensão que possa se acumular em decorrência do incidente".

Numa segunda nota, divulgada logo depois do anúncio turco, Ban pediu ao governo sírio que respeite a integridade territorial dos seus vizinhos e alertou que o conflito está cada vez mais afetando outros países na região.

Com Reuters e BBC

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