Refugiados sírios podem chegar a 700 mil até o fim do ano, diz ONU

Entidade faz apelo por fundos para atender necessidades de população que deixa o país, enquanto ativistas denunciam mais de 300 mortes em um dia

iG São Paulo |

O número de refugiados que deixam a Síria em consequência da violência pode chegar a 700 mil até o fim do ano, informou a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para refugiados nesta quinta-feira. A estimativa é quase quatro vezes mais do que a previsão anterior, de 185 mil refugiados, ultrapassada em agosto.

Cerca de 294 mil refugiados do conflito de 18 meses na Síria cruzaram as fronteiras para quatro países vizinhos - Jordânia, Iraque, Líbano e Turquia - ou aguardam para se registrar nos limites desses países, afirmou o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).

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AP
Rebelde sírio beija a cabeça de companheiro de combate morto em Aleppo (26/09)

"Este é um significativo êxodo que está acontecendo: 100 mil pessoas em agosto, 60 mil em setembro e, no momento, de 2 mil a 3 mil por dia ou noite", disse Panos Moumtzis, coordenador regional de refugiados do Acnur, durante uma coletiva de imprensa.

Em torno de 5 mil a 6 mil sírios alcançaram outras partes do norte da África, principalmente Egito, enquanto outros refugiados estão aparecendo em países do sul da Europa, incluindo Chipre e Grécia, afirmou.

Agências de ajuda da ONU e parceiros humanitários lançaram um apelo por financiamento de US$ 487,9 milhões para ajudar com as necessidades geradas pelo êxodo que cresce rapidamente vindo da Síria.

Mortes

Mais de 300 pessoas foram mortas na quarta-feira no país, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, num dos mais violentos dias da rebelião contra o presidente Bashar Al-assad.

Com base em relatos recebidos de ativistas na Síria, a entidade afirmou em relatório divulgado na quinta-feira que mais 55 pessoas foram mortas em zonas rurais ao redor de Damasco, incluindo pelo menos 40 que parecem ter sido executadas a sangue frio na localidade de Al Dhiyabia, a sudeste da capital.

Outros ativistas disseram que até 107 pessoas foram mortas em Al Dhiaybia, e culparam as forças de segurança pelo que disseram ser um massacre. Vídeo publicado por ativistas mostrou fileiras de corpos ensanguentados envoltos em cobertores. As vítimas mostradas pareciam ser homens adultos, de várias idades.

O Observatório disse também que 14 pessoas foram mortas num atentado a bomba dos rebeldes contra um centro de comando militar em Damasco, e no longo tiroteio subsequente.

O Observatório, que tem sede no Reino Unido, diz que mais de 30 mil pessoas já foram mortas desde março de 2011.

Com Reuters

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