Protestos violentos contra filme anti-islâmico atingem Sudão, Líbano e Tunísia

Somente nesta sexta-feira, pelo menos sete pessoas foram mortas em ataques. No Egito, onde também houve um morte, manifestantes foram às ruas protestar na Praça Tahir

iG São Paulo | - Atualizada às

Ao menos sete pessoas morreram nesta sexta-feira em violentos protestos contra embaixadas ocidentais, por causa de um filme anti-islâmico produzido nos EUA. Duas das mortes ocorreram na Tunísia, onde uma multidão invadiu o terreno da embaixada americana em Tunis.

A representação diplomática dos EUA em Cartum, no Sudão, também foi invadida, e três pessoas morreram. Uma pessoa morreu no Egito e outra no Líbano, depois da depredação de um restaurante da rede americana KFC.  O Papa Bento 16 está em Beirute para uma visita de três dias e pediu o fim dos protestos violentos que seguem se espalhando pelo mundo árabe.

Reuters
Manifestante sudanês em frente à embaixada da Alemanha em chamas

Também há relatos de confrontos e protestos no Iêmen, na Nigéria, no Afeganistão, em Bangladesh, nos territórios palestinos e no Egito. Até quinta-feira, apenas embaixadas americanas estavam sendo alvejadas, mas agora representações da Grã-Bretanha e da Alemanha também foram atacadas.

No Egito, sete pessoas ficaram feridas em confrontos com a polícia nos arredores da embaixada dos Estados Unidos no Cairo - a área foi isolada pelas autoridades egípcias, que chegaram a utilizar gás lacrimogênio, jatos d'água e balas de borracha. Na capital do Iêmen, Sanaa, ataques também foram registrados.

Segundo a emissora de televisão britânica BBC, milhares de pessoas se reúnem na Praça Tahir, tradicional palco de manifestações na capital Cairo. Em declaração emitida nesta sexta-feira, uma comissão ligada à ONU repreendeu a população da Líbia por "iniciar" o conflito.

AP
Manifestantes atacam restaurantes na cidade de Trípoli, no Líbano. Uma pessoa foi morta


O presidente do Egito e membro da Irmandade Muçulmana, Mohammed Mursi, disse que iria organizar marchas pacíficas e outros tipos de protestos nesta sexta-feira. Grupos islâmicos também convocaram uma passeata, porém nada está sendo feito de forma organizada. Em um discurso desde Roma, durante uma reunião com líderes italianos, o mandatário reiterou que dará toda a segurança necessária aos diplomatadas que vivem em seu país, mas condenou a veiculação de vídeos que ridicularizam o Islã.

Saiba mais: Protestos de muçulmanos contra insultos ao Islã

"A expressão do protesto tem que ser de uma maneira civilizada e pacífica, em correspondência com a civilização antiga do povo egípcio e a do grande Islã", destaca uma das convocações de um grupo islâmico egípcio.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, repudiou todos os ataques violentos que se espalharam pelos países de maioria muçulmana e se diz “perturbado” com o filme que provocou toda a revolta.

"Nada justifica estes assassinatos e ataques. Ban condena o odioso filme que aparenta ter sido deliberadamente feito para semear o fanatismo e o derramamento de sangue", afirmou a porta-voz da ONUm, Vannina Maestracci.

Brasileiros

Para o Itamaraty, as representações brasileiras em países árabes do Oriente Médio e da África darão "a maior atenção à segurança" aos seus diplomatas. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério de Relações Exteriores, em entrevista à BBC Brasil, "não houve nenhuma ameaça concreta contra o país".

O Itamaraty afirmou também que está monitorando as comunidades brasileiras espalhadas pelos países atingidos pela onda de protestos.

Violência

Na terça-feira, um grave ataque à embaixada dos Estados Unidos na cidade líbia de Benghazi culminou na morte do embaixador Christopher Stevens e de outros três americanos.

De acordo com o Ministro do Interior da Líbia, quatro suspeitos de terem participado do ataque ao órgão americano foram presos. Porém, não há detalhes se eles pertencem a algum grupo radical islãmico. Segundo o governo dos EUA, o atentado pode ter sido premeditado.

Filme

A polícia dos Estados Unidos parece ter fechado o cerco aos responsáveis pela produção e divulgação do filme anti-islâmico que motivou a onda de ataques a embaixadas americanas. Nesta quinta-feira, agentes da Califórnia interrogaram Nakoula Basseley Nakoula, de 55 anos, que admitiu envolvimento no caso.

De acordo com a Associated Press, Nakoula - supostamente um cristão radical de origem egípcia - confirmou ser o gerente da empresa que produziu o vídeo no qual o profeta Maomé é retratado como um adúltero, pedófilo e sanguinário. A polícia, no entanto, trabalha com a hipótese de que ele possa ter sido, na verdade, o diretor do filme.

O governo americano buscou se distanciar do vídeo. Nesta quinta-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que os EUA " não têm nada a ver " com o filme, que chamou de repugnante e repreensível".

Com BBC, Reuters e CNN

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