Protestos contra filme anti-islâmico produzido nos EUA se espalham

Manifestações em locais próximos de embaixadas americanas acontecem em Iêmen, Egito, Tunísia, Iraque, Marrocos, entre outros países

iG São Paulo | - Atualizada às

Protestos contra um filme anti-islâmico produzido nos Estados Unidos se espalharam pelo Oriente Médio nesta quinta-feira. Nos casos mais violentos, uma multidão invadiu a Embaixada dos EUA em Sanaa, capital do Iêmen, e dezenas ficaram feridos em choques entre manifestantes e policiais no Cairo, capital do Egito.

Manifestações também foram registradas nesta quinta-feira em Bangladesh, Iraque, Marrocos, Sudão, Tunísia e na Faixa de Gaza, motivadas por um vídeo de menos 15 minutos postados no YouTube. O filme, intitulado Innocence of Muslims (Inocência dos Muçulmanos, em tradução livre), foi criticado por representar o profeta Maomé de maneira desrespeitosa.

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AP
Manifestante egípcio observa choques durante protesto próximo à Embaixada dos EUA no Cairo

No Iêmen, centenas de manifestantes que gritavam "morte à América" quebraram janelas e entraram no terreno da embaixada, embora não tenham invadido o prédio principal. Uma bandeira americana foi retirada do mastro, queimada e trocada por um cartaz com inscrição que dizia: "Não há Deus além de Alá".

Forças de segurança iemenitas atiraram para o ar e usaram bombas de gás para dispersar os manifestantes, expulsando-os do complexo após cerca de 45 minutos e isolando as ruas ao redor.

A Embaixada iemenita em Washington condenou o ataque e fez um apelo por um reforço na segurança de missões estrangeiras no país. O governo do Iêmen pediu desculpas aos EUA e prometeu agir para garantir proteção aos diplomatas.

Egito

O ataque no Iêmen foi similar ao que aconteceu na terça-feira nas embaixadas dos EUA no Cairo e na cidade líbia de Benghazi - este último, mais grave, culminou na morte do embaixador Christopher Stevens e de outros três americanos.

De acordo com o Ministro do Interior da Líbia, quatro suspeitos de terem participado do ataque ao órgão americano foram presos. Porém, não há detalhes se eles pertencem a algum grupo radical islãmico.

Nesta quinta-feira, no Cairo, manifestantes egípcios entraram em choque com a polícia perto da embaixada dos EUA pelo terceiro dia consecutivo. A polícia usou bombas de gás para dispersar os manifestantes e ambos os lados lançaram pedras. Não houve invasão da representação diplomática, mas dezenas ficaram feridos.

Durante visita oficial a Bruxelas, na Bélgica, o presidente do Egito, Mohammed Morsi, fez um apelo pelo fim dos ataques contra embaixadas estrangeiras no Cairo, dizendo que a população do país rejeita tais "atos injustos".

"Expressar a opinião, ter liberdade para protestar e anunciar posições é garantido, mas sem atacar propriedades privadas ou públicas, missões diplomáticas ou embaixadas", disse Mursi, um político islamista que é o primeiro presidente livremente eleito do Egito.

Em entrevista exibida na televisão nesta quinta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que não considera o Egito "nem um aliado, nem um inimigo".  Segundo ele, o recém-formado governo egípcio, eleito democraticamente, está tentando "encontrar o seu caminho".

Se as autoridades do governo tomarem atitudes que mostrem "que não estão assumindo a responsabilidade", então isso seria "um problema muito grande", disse o presidente, que falou com os presidentes do Egito e da Líbia para avaliar a situação.

O governo americano buscou se distanciar do vídeo. Nesta quinta-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que os EUA " não têm nada a ver " com o filme, que chamou de repugnante e repreensível".

Com AP e Reuters

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