Centenas de manifestantes invadem Embaixada dos EUA no Iêmen

Manifestação contra filme anti-islâmico também acontece no Egito, onde presidente faz apelo por fim de 'ataques injustos' contra diplomatas estrangeiros

iG São Paulo |

Gritando "morte à América", centenas de manifestantes revoltados com um filme anti-islâmico invadiram a Embaixada dos Estados Unidos em Sanaa, capital do Iêmen, nesta quinta-feira. Foi o mais recente de uma série de ataques contra representações diplomáticas americanas no mundo árabe provocados pelo filme, cuja origem é incerta .

Em Sanaa, manifestantes quebraram janelas e entraram no terreno da embaixada, embora não tenham invadido o prédio principal. Uma bandeira americana foi retirada do mastro, queimada e trocada por um cartaz com inscrição que dizia: "Não há Deus além de Alá".

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Reuters
Manifestantes quebram janela da embaixada dos EUA no Iêmen

Forças de segurança iemenitas atiraram para o ar e usaram bombas de gás para dispersar os manifestantes, expulsando-os do complexo após cerca de 45 minutos e isolando as ruas ao redor. Não está claro se algum funcionário da embaixada estava no local durante o ataque.

A Embaixada iemenita em Washington condenou o ataque e fez um apelo por um reforço na segurança de missões estrangeiras no país. O governo do Iêmen pediu desculpas aos EUA e prometeu agir para garantir proteção aos diplomatas.

O ataque no Iêmen foi similar ao que aconteceu na terça-feira nas embaixadas dos EUA no Cairo e na cidade líbia de Benghazi - este último, mais grave, culminou na morte do embaixador Christopher Stevens e de outros três americanos.

É no Iêmen que está baseado o braço mais ativo da rede terrorista Al-Qaeda, e os EUA são os principais parceiros da campanha antiterror do governo iemenita. Autoridades americanas investigam se o ataque na Líbia foi planejado para coincidir com o aniversário de 11 anos do 11 de Setembro .

Egito

Também nesta quinta-feira, manifestantes egípcios entraram em choque com a polícia perto da Embaixada dos EUA no Cairo pelo terceiro dia consecutivo. A polícia usou bombas de gás para dispersar os manifestantes e ambos os lados lançaram pedras. Não houve invasão da representação diplomática. De acordo com o Ministério do Interior, 16 manifestantes e 13 policiais ficaram feridos. Doze manifestantes foram presos.

Durante visita oficial a Bruxelas, na Bélgica, o presidente do Egito, Mohammed Morsi, fez um apelo pelo fim dos ataques contra embaixadas estrangeiras no Cairo, dizendo que a população do país rejeita tais "atos injustos".

"Expressar a opinião, ter liberdade para protestar e anunciar posições é garantido, mas sem atacar propriedades privadas ou públicas, missões diplomáticas ou embaixadas", disse Mursi, um político islamista que é o primeiro presidente livremente eleito do Egito.

AP
Manifestantes escalam portão de Embaixada dos EUA em Sanaa em protesto contra filme anti-islâmico

A onda de violência foi provocada por um vídeo de menos de 15 minutos postado no YouTube sob o título Innocence of Muslims (Inocência dos Muçulmanos, em tradução livre), criticado por representar o profeta Maomé de maneira desrespeitosa.

Nesta quinta-feira, o YouTube, que é propriedade do Google, afirmou que não irá remover o vídeo, mas disse que o acesso a ele será bloqueado na Líbia e no Egito.

"Este vídeo - que está amplamente disponível na web - está claramente dentro de nossas diretrizes e, portanto, vai permanecer no YouTube", disse o Google, em um comunicado. "No entanto, dada a situação muito difícil na Líbia e no Egito, restringimos temporariamente o acesso em ambos os países."

Com AP e Reuters

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