Diretor de filme sobre Maomé está escondido e teme represálias

Longa que retrata o profeta como sanguinário e pedófilo causou uma série de ataques a órgãos americanos e a morte do embaixador dos EUA na Líbia

iG São Paulo |

Trechos de um filme retratando Maomé como adúltero, bissexual, pedófilo e sanguinário causaram uma onda de violência em países de maioria muçulmana. De acordo com agências de notícias, o diretor do longa está escondido na Califórnia, temendo represálias. Na terça-feira, uma ataque à Embaixada dos Estados Unidos na Líbia culminou com a morte do embaixador Christopher Stevens.

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Cena do filme que ridiculariza o profeta Maomé

O filme intitulado "Inocência dos muçulmanos" foi realizado por um homem que mora na Califórnia e teria, supostamente, cidadania israelense. Segundo a Associated Press, Sam Bacile, de 56 anos, assumiu que escreveu, produziu e dirigiu o longa de duas horas de duração. Israel, no entanto, não confirma a existência de um cidadão com este nome.

Ainda de acordo com a agência de notícias, Sam Bacile decidiu se esconder do público em um lugar secreto por temer represálias. "Este é um filme político", afirmou o diretor. "Os EUA perderam muito dinheiro e muitas pessoas em guerras no Iraque e no Afeganistão, mas estamos lutando com ideias".

Segundo trechos disponíveis em blogs e no YouTube, a primeira parte do filme, situada na era moderna, mostra alguns cristãos coptas egípcios - tradicionalmente contra a religião islâmica - correndo de uma multidão muçulmana enfurecida.

Na segunda parte aparecem cenas históricas relatando a vida do profeta Maomé no deserto. Nelas, o líder muçulmano é retratado como um filho bastardo, adúltero e bissexual. Em um momento, ele é visto tendo relações sexuais com várias mulheres.

Para os muçulmanos, qualquer representação do profeta já pode ser considerada uma blasfêmia. Caricaturas, desenhos e sátiras já serviram para iniciar conflitos na região do Oriente Médio em outras ocasiões.

Atentados

Na terça-feira, o embaixador dos Estados Unidos na Líbia e outros três integrantes da missão diplomática americana no país foram mortos em um ataque ao Consulado dos EUA em Benghazi. De acordo com autoridades líbias, o atentado foi realizado por manifestantes que protestavam contra um filme produzido nos EUA que ridiculariza o profeta Maomé.

Mais cedo, manifestantes egípcios , a maioria islâmicos ultraconservadores, subiram no muro da Embaixada dos Estados Unidos no Cairo, entraram no local, queimaram a bandeira americana e a substituíram por outra com uma inscrição islâmica.

Com AP e Reuters

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