Em protesto contra filme que ataca Maomé, homens pulam muro, retiram bandeira americana e a substituem por outra com inscrição islâmica

Manifestantes egípcios, a maioria islâmicos ultraconservadores, subiram no muro da Embaixada dos Estados Unidos no Cairo nesta terça-feira, entraram no local, retiraram a bandeira americana e a substituíram por outra com uma inscrição islâmica.

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Manifestantes seguram bandeira americana retirada de Embaixada dos Estados Unidos no Cairo
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Manifestantes seguram bandeira americana retirada de Embaixada dos Estados Unidos no Cairo

O motivo do protesto, que reuniu centenas, foi um filme supostamente produzido nos Estados Unidos que ataca o profeta Maomé. "Digam, não tenham medo: 'O embaixador deve ir embora'", gritava a multidão.

Dezenas de manifestantes entraram na embaixada e levaram a bandeira para o lado de fora, onde a multidão tentou queimá-la. Sem sucesso, ela foi rasgada. A bandeira colocada no mastro pelos egípcios tinha uma inscrição que dizia: "Não há deus além de Deus e Maomé é seu profeta".

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Em Washington, a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, afirmou que os EUA estão trabalhando com as autoridades egípcias para restaurar a ordem. A maior parte dos funcionários tinham deixado o local quando o protesto começou, porque o governo americano já sabia qe ele ocorreria. O embaixador está fora do Cairo.

De acordo com a imprensa egípcia, o filme foi produzido por um grupo antimuçulmano nos EUA. Na produção, Maomé é retratado como uma fraude e mostrado fazendo sexo e ordenando massacres.

Ahmed Shafik

Também nesta terça-feira, promotores egípcios ordenaram a prisão e extradição do ex-premiê e vice-colocado nas eleições presidenciais Ahmed Shafik, investigado pela venda ilegal de propriedades aos filhos do ex-presidente Hosni Mubarak.

Shafiq negou as acusações várias vezes e disse que elas são politicamente motivadas. Ele é uma das mais de 30 autoridades da era Mubarak que enfrentam acusações de corrupção.

Shafiq perdeu por pouco a presidência para o islamita Mohammed Morsi, da Irmandade Muçulmana, um grupo cujos membros foram banidos, reprimidos, presos e torturados sob o regime de Mubarak. Ele deixou o país após a eleição.

Com AP

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