Ativistas dizem ter encontrado centenas de corpos na Síria

Segundo relatos não confirmados, cerca de 200 cadáveres estavam em casas e abrigos em Darayya, próxima a Damasco

BBC | - Atualizada às

BBC

Ativistas da oposição síria dizem que centenas de corpos foram encontrados em Darayya, uma cidade nos arredores da capital, Damasco. Eles acusan as forças do governo de "massacre" e afirmam que as vítimas foram "sumariamente executadas".

Leia também:

Assad diz que lutará contra "complô estrangeiro" seja qual for o preço
Oposição síria pede intervenção militar internacional
Vice-presidente sírio aparece em público após rumores sobre deserção
Regime sírio intensifica bombardeios e execuções em várias cidades

Segundo relatos não confirmados, cerca de 200 cadáveres foram encontrados em casas e abrigos no subsolo, todos aparentemente mortos por soldados sírios. A televisão estatal do país não comentou as acusações, mas disse que a cidade estava sendo "purificada" do que chamou de "terroristas remanescentes".

Reuters
O vice-presidente sírio, Farouk al Charaa, apareceu em público neste domingo em Damasco pela primeira vez em cerca de um mês

Também neste domingo, o vice-presidente sírio Farouq Al-Shara recebeu uma delegação iraniana em Damasco, acabando com as especulações de que ele teria se juntado à oposição .

Ataques 'de casa em casa'

Após dias de bombardeios, as forças do presidente Bashar Al-Assad começaram um ataque em Darayya no sábado. A correspondente da BBC em Beirute, Barbara Plett, diz que o ataque foi parte de uma campanha para retomar o controle da região ao sul de Damasco, onde os rebeldes vêm se reagrupando.

Ativistas colocaram na internet um vídeo, cuja veracidade não pode ser confirmada, mostrando fileiras de corpos lado a lado na mesquita Abu Auleiman Al-Darani, em Darayya. Eles dizem que muitas das vítimas tinham ferimentos causados por tiros na cabeça e no peito e foram mortas durante ataques feitos pelos soldados de casa em casa. Os militantes da oposição disseram ainda que as vítimas foram atingidas de perto e que algumas morreram alvejadas por atiradores de elite.

Leia mais:

Por dentro da guerra contra as tropas sírias
Obama diz que Síria cruzará 'linha vermelha' se usar armas químicas
Êxodo aumenta e número de refugiados sírios ultrapassa 200 mil, diz ONU

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, um grupo de oposição baseado na Grã-Bretanha, disse que 183 pessoas morreram em todo o país no sábado. No entanto, os relatos dos ativistas não puderam ser verificados independentemente, por causa das restrições à mídia estrangeira na Síria.

Fracasso do cessar-fogo

Manifestantes da oposição afirmam que a frequência do tipo de assassinato em massa que aconteceu em Darayya, com centenas de corpos sendo descobertos depois de campanhas do Exército, aumentou nos últimos meses. A ONG internacional Human Rights Watch diz que o padrão não é novo, mas que está acontecendo em áreas maiores e com mais vítimas.

Um relatório de observadores da ONU disse que ambos os lados realizaram massacres, mas o Exército sírio foi responsável por um número muito maior de mortes.

No sábado, o chefe da missão da ONU na Síria deixou o país, depois que a missão chegou ao fim. O general senegalês Babacar Gaye se juntou a um comboio da organização para o Líbano.

Na semana passada, a ONU decidiu não estender a missão, que era originalmente parte de um plano de paz de seis pontos para a Síria. No entanto, o cessar-fogo exigido pelo plano nunca aconteceu e o aumento da violência forçou os monitores internacionais a ficarem confinados em seus hotéis desde junho.

    Leia tudo sobre: síriadamascomundo áraberevolta

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG