Rússia alerta contra ameaça dos EUA de intervenção militar na Síria

Após reunião com autoridades russa e chinesa, vice-premiê sírio disse que interferência seria precedente perigoso e que Obama faz propaganda eleitoral ao pressionar Síria

iG São Paulo | - Atualizada às

A Rússia fez um alerta nesta terça-feira contra uma possível ação unilateral dos Estados Unidos contra a Síria, depois de o presidente americano, Barack Obama , dizer que o uso de armas químicas pelo regime sírio poderia levar a uma intervenção militar no país.

Ameaça:  Obama diz que Síria cruzará 'linha vermelha' se usar armas químicas

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, disse que não deve haver qualquer interferência externa e os países devem “aderir de forma estrita às normas do direito internacional”.

Reuters
Chanceler russo, Sergei Lavrov (E), se reuniu com o conselheiro de Estado chinês, Dai Bingguo, em Moscou

Em Moscou, o chanceler russo conversou nesta teça-feira com o conselheiro de Estado chinês, o diplomata Dai Bingguo, e uma delegação do governo sírio para discutir o conflito, que de acordo com estimativas da ONU deixou mais de 18 mil mortos.

Depois da reunião, Lavrov disse que Moscou e Pequim baseiam sua diplomacia na cooperação, na necessidade de seguir as normas internacionais e “princípios contidos na Carta da ONU” e não em violações. “Acredito que esse é o único caminho correto nas condições de hoje”, disse Lavrov.

Ao falar sobre a possibilidade de o Conselho de Segurança da ONU autorizar o uso da força contra a Síria, o chanceler russo alertou para a imposição da “democracia pelas bombas”.

Para o vice-premiê sírio, Qadri Jamil, uma interferência externa na Síria estaria “dificultando esforços dos próprios sírios em resolver o problema”.

Rússia e China vêm se opondo a qualquer intervenção na Síria desde o início do levante popular contra Assad, em março de 2011. Os países, que são membros permanentes do Conselho de Segurança, votaram contra três resoluções que buscavam pressionar o presidente sírio, Bashar al-Assad, a dar fim à violência.

Eleição

Na segunda-feira, Obama disse que o uso ou o deslocamento de armas químicas sírias representaria “uma linha vermelha” para os EUA e alertou o governo de Assad sobre “enormes consequências”.

"Até aqui, eu não dei a ordem de intervir militarmente na Síria", ressaltou Obama durante uma entrevista coletiva à imprensa na Casa Branca na segunda-feira, ao advertir que os EUA estão "monitorando a situação cuidadosamente, reunindo diversos planos de contingência".

A declaração de Obama foi feita quase um mês depois de o governo sírio ameaçar usar suas armas químicas e biológicas se for alvo de ataque estrangeiro.

O vice-premiê da Síria tachou de propaganda eleitoral as afirmações de Obama na segunda-feira. "No que se refere às declarações de Obama, são ameaças provocadoras e propagandistas, relacionadas às próximas eleições presidenciais dos EUA", disse.

Segundo ele, o "Ocidente procura uma desculpa para intervir nos assuntos do país árabe e que agora têm lugar diferentes manobras em conexão com as eleições presidenciais nos EUA".

Jamil afirmou ainda que uma intervenção militar na Síria não terá bons resultados. "Vê-se que eles procuram uma propagação da crise, o que afetaria não só a Síria. A intervenção militar na Síria criaria um precedente muito perigoso para repetição em outros cantos do mundo", disse.

Conflito

Nesta terça-feira, a violência continuou em cidades como Aleppo e Damasco, com forças sírias e tanques invadindo o subúrbio de Mouadamiya, na capital. Ao menos 20 homens jovens morreram, além de terem sido queimadas lojas e casas, de acordo com moradores e ativistas da oposição.

Os corpos dos homens, a maioria com tiros à queima-roupa, foram encontrados em porões e em lojas e casas saqueadas por militares leais ao governo, de acordo com as fontes.

Reuters
Rebeldes opositores perto de aeroporto militar próximo à cidade de Azaz, no norte da Síria

Os números, no entanto, não puderam ser verificados de maneira independente, devido às restrições impostas pelas autoridades sírias a jornalistas estrangeiros.

Na segunda-feira, a jornalista japonesa Mika Yamamoto morreu quando cobria os combates em Aleppo para a agência de notícias Japan Press. Outros três jornalistas, árabes e turcos, estão desaparecidos, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Em Paris, uma delegação do Conselho Nacional Sírio (CNS, principal coalizão opositora), liderada por seu presidente Abdel Basset Sayda, foi recebida nesta terça-feira pelo presidente francês, François Hollande.

Na segunda-feira, Hollande já havia recebido no Eliseu o novo mediador internacional para a Síria, Lakhdar Brahimi.

Ao fim desse primeiro encontro sobre a Síria depois de seu retorno de férias, no domingo à noite o presidente francês, que vem sendo muito criticado pela oposição por demonstrar certa passividade diante do conflito, havia reafirmado que não pode "haver solução política (na Síria) sem a saída de Bashar al-Assad" do poder.

*Com EFE, BBC e AFP

    Leia tudo sobre: síriarússiachinaeuaobamalavrovarmas químicas

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG