Nesta sábado, um ativista da oposição síria informou que cerca de 40 corpos foram encontrados em povoado na periferia da capital Damasco

AFP

Zonas controladas por rebeldes continuavam sendo alvo neste sábado de bombardeios do regime sírio, que desmentiu a deserção de seu vice-presidente, informação anunciada por redes de televisão árabes que citavam rebeldes. O vice-presidente "Faruk al-Shara não pensou em nenhum momento em sair do país", afirmou a rede de televisão pública citando um comunicado de seu gabinete, mas sem mostrar imagens dele.

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Shara, a personalidade sunita mais proeminente do poder alauita, é um homem de confiança do regime e foi durante quinze anos chefe da diplomacia, antes de se tornar vice-presidente em 2006. Várias redes de televisão árabes anunciaram sua deserção à Jordânia, citando os insurgentes.

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Síria registra mais um dia de bombardeios
AP
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Em um comunicado, o comando do Exército Sírio Livre (ESL, rebelde) afirma que, segundo "informações preliminares, teria ocorrido uma tentativa de deserção" que "terminou em fracasso". "Nós não confirmamos nem desmentimos as informações sobre a deserção", assegura o comunicado do ESL.

Ultimamente, o regime sírio é atingido por deserções de membros do alto escalão, como a do primeiro-ministro Riad Hijab ou a do general Manaf Tlass, o oficial do exército de mais alta patente a ter abandonado o regime, e que era amigo de infância do presidente Bashar al-Assad. Segundo o comunicado de seu gabinete, o vice-presidente Shara saudou a nomeação, na véspera, do novo mediador internacional para a Síria, Lakhdar Brahimi.

Shara é favorável a "uma posição unificada do Conselho de Segurança da ONU para que (Brahimi) possa realizar sua possível missão sem obstáculos", afirma a nota.

Nesta sábado, um ativista da oposição síria informou que cerca de 40 corpos foram encontrados no povoado de Al Tal, na periferia de Damasco, que foi fortemente bombardeada pelas forças do regime de Bashar al-Assad durante os últimos dias. Omar Hamza explicou que as vítimas perderam a vida devido aos "bárbaros bombardeios”. A notícia foi confirmada pelos Comitês de Coordenação Local (CCL), que disseram em comunicado que o número de corpos encontrados até o momento foi de 40. Já o Observatório Sírio de Direitos Humanos precisou este número entre 30 e 40 e informou que os mortos ainda não foram identificados.

Mudança no comando do plano de paz

Brahimi, de 78 anos, substitui no cargo Kofi Annan, que apresentou sua renúncia diante do fracasso de seu plano de paz. Esta nomeação foi feita um dia após o Conselho de Segurança ordenar, na quinta-feira, o fim da missão de observadores da ONU na Síria, diante da falta de acordo dos países para por fim a um conflito que não para de se agravar.

Mas o novo enviado das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria disse ter pouca confiança que se possa acabar com a guerra civil no país árabe. "Acredito que vou colocar todos os meus esforços, vou fazer o máximo possível", declarou à rede de televisão France 24.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu um apoio internacional "forte, claro e unificado" a Brahimi. A China, país aliado de Damasco, e os Estados Unidos, que pedem a renúncia de Bashar al-Assad, também prometeram apoiar Brahimi. A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, fez o mesmo, diante da "imensa tarefa que o espera".

A Rússia saudou a nomeação de Brahimi, com a esperança de que retome o plano de paz de Annan e o acordo de Genebra, que propunha uma transição política no país.

Os rebeldes continuam exigindo, além de armas, uma zona de exclusão aérea como a implementada na Líbia, mas o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, declarou-se contra esta ideia, em uma entrevista que será divulgada neste sábado na Sky News Arabia.

Moscou é o aliado mais forte do regime sírio e utilizou seu poder de veto em três ocasiões, junto a Pequim, contra resoluções do Conselho de Segurança que incluíam ameaças de sanções contra Damasco.

Com EFE

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