Novo mediador na Síria aceita papel, mas não pede saída de Assad

Diplomata argelino, substituto de Kofi Annan, declara que ONU precisa esclarecer urgentemente que tipo de apoio oferecerá

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O diplomata argelino prestes a se tornar o novo mediador internacional na Síria afirmou que precisa esclarecer urgentemente que tipo de apoio será oferecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e falou que é muito cedo para dizer se o presidente Bashar al-Assad deve renunciar.

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Foto de 2009 mostra o ex-chanceler da Argélia Lakhdar Brahimi, escolhido para substituir Kofi Annan como enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria

O diplomata veterano Lakhdar Brahimi deu as declarações um dia após a ONU confirmar que ele assumirá o cargo de Kofi Annan como mediador. Annan, que deixa o posto no fim deste mês sem sucesso em sua tentativa, renunciou reclamando que divisões dentro do Conselho de Segurança da entidade atrapalharam seu trabalho.

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Brahimi deixou claro que está ciente do problema no Conselho de Segurança e que, portanto, precisa urgentemente esclarecer que suporte a ONU oferecerá ao seu trabalho para assegurar que a missão tenha maior chance de êxito.

"Quando eu for a Nova York, perguntarei muitas coisas. Como nos organizar, com quem falaremos e que tipo de plano traçaremos?", disse o diplomata à Reuters em uma entrevista por telefone, neste sábado.

Brahimi assume o papel, descrito como "missão impossível" por um diplomata francês, em um momento em que a violência entre as forças do governo e os rebeldes está em seu ponto máximo e sem sinais de um cessar-fogo.

Mais de 18 mil pessoas morreram e cerca de 170 mil deixaram o país desde o início dos conflitos, de acordo com a ONU.

O Conselho de Segurança continua altamente dividido, com Rússia e China vetando sanções a Assad, sob o argumento de que o Ocidente está tentando derrubar o governo sírio. Três outros membros permanentes do Conselho -- Estados Unidos, Grã-Bretanha e França -- são favoráveis a duras sanções.

Brahimi afirmou que vai para Nova York na próxima semana para aceitar oficialmente sua missão e, depois, irá ao Cairo para se encontrar com o chefe da Liga Árabe, Nabil Elaraby.

Descrevendo a situação síria como "absolutamente terrível", o diplomata disse que fará o seu melhor para encerrar os 17 meses de conflito.

Ele evitou, no entanto, declarar se achava que Assad tinha de renunciar, algo que contrastou com a postura de Annan, que chegou a dizer que o líder sírio "precisava deixar o cargo".

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