Conselho de Segurança ordena fim da missão de observadores da ONU na Síria

Anúncio sobre fim da missão ocorre um dia depois de bomba explodir próximo a hotel que hospedava observadores em Damasco

iG São Paulo | - Atualizada às

O Conselho de Segurança das Nações Unidas ordenou nesta quinta-feira o fim da missão de observadores da ONU na Síria, mas apoiou a permanência de um escritório civil em Damasco.

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"As condições para prosseguir com a UNSMIS não foram cumpridas", afirmou o embaixador francês na ONU, Gerard Araud, sobre o fim da missão de observadores na Síria.

Reuters
Membro do Exército Livre da Síria em Aleppo

Segundo Edmond Mulet, do departamento de manutenção de paz da ONU, "a missão chegará ao fim à meia-noite de domingo".

A missão ONU autorizava o envio de 300 observadores militares desarmados à Síria para monitorar um cessar-fogo negociado entre o ex-enviado da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, e o presidente sírio, Bashar al-Assad.

Com o aumento das hostilidades, no entanto, a missão ameaçou se retirar do país. A insegurança crescente fez com que a maior parte dos observadores ficasse confinada em seus hotéis desde 15 de junho. Na quarta-feira, uma bomba explodiu próximo ao hotel em que observadores estavam hospedados, deixando três feridos. Nesta quinta-feira, o número de observadores da ONU no país caiu para 101, além de 72 funcionários civis.

O Conselho de Segurança apoiou um plano do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para iniciar um escritório político intermediário em Damasco para monitorar os eventos.

Mulet informou à imprensa que Assad aprovou a implementação do escritório político.

O fim da missão de observadores da ONU na Síria foi criticada pelo Ministério das Relações Exteriores russo, para quem a mudança pode trazer “consequências negativas sérias” para a região.

De acordo com a TV Al Arabiya, um primo do vice-presidente sírio Farouq al-Shara desertou nesta quinta-feira, ao transmitir um comunicado no qual ele pede que os membros do Exército se unam à "revolução".

"O primo do vice-presidente sírio Faourk al-Shara anuncia sua deserção em uma gravação exclusiva via Al Arabiya", leu o âncora da emissora, depois da exibição do vídeo. Ele identificou a pessoa como Yarab al-Shara.

Aleppo

Nesta quinta-feira, novos confrontos tomaram Aleppo, centro comercial e maior cidade do país. Paralelamente, a ONG Human Rights Watch afirmou que o ataque aéreo de quarta-feira na cidade de Azaz, perto da fronteira com a Turquia, deixou cerca de 40 mortos, mais de 100 feridos e casas destruídas.

Ainda nesta quinta-feira, a chefe de assuntos humanitários da ONU, Valerie Amos, disse que pelo menos 2,5 milhões de pessoas precisam de ajuda na Síria, onde as forças do presidente Bashar al-Assad têm lutado contra os rebeldes, que buscam sua deposição dele há 17 meses.

Falando na Síria, onde se encontrou com o primeiro-ministro Wael al-Halki e outros funcionários nesta semana, Valerie exortou as forças governamentais e rebeldes a fazer mais para proteger os civis em meio à violência.

"Mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas e estão na miséria. Talvez mais 1 milhão tenham necessidades humanitárias urgentes devido ao impacto crescente da crise sobre a economia e sobre a vida das pessoas", disse. "Em março, estimamos que 1 milhão de pessoas precisavam de ajuda. Agora, até 2,5 milhões precisam de assistência e estamos trabalhando para atualizar nossos planos e necessidades de financiamento."

Um apelo da Organização das Nações Unidas (ONU) para levantar US$ 180 milhões para a Síria neste ano, com base em estimativas anteriores, atingiu apenas 40% da meta até o momento, afirmaram autoridades da ONU.

*Com BBC, AP, Reuters e AFP

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