Comissão atribui às forças de segurança e à shabiha assassinatos em vilarejo em maio; ataques aéreos matam 30 perto de Aleppo, enquanto bomba explode em Damasco

As forças do presidente da Síria, Bashar Al-Assad, e a milícia pró-governo shabiha cometeream crimes de guerra e crimes contra a humanidade no vilarejo de Houla, em maio, afirmou um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira. A comissão também afirmou que grupo contrários ao governo cometeram crimes de guerra, incluindo assassinatos e tortura, mas em escala menor.

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Imagem divulgada por ativistas diz mostrar corpos de vítimas de massacre em Houla (26/05)
AP
Imagem divulgada por ativistas diz mostrar corpos de vítimas de massacre em Houla (26/05)

O relatório, feito por uma comissão apontada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, culpou o governo e a milícia pela morte de mais de cem civis no vilarejo. Segundo o texto, os assassinatos, torturas, estupros e ataques em Houla "indicam o envolvimento do mais alto escalão das forças de segurança e do governo".

O relatório foi feito após entrevistas com 1.062 entrevistas na Síria e em Genebra, e a comissão ressaltou as dificuldades para obter informações por causa das limitações impostas pelo governo sírio.

Aviões de guerra

Nesta quarta-feira, aviões de guerra sírios atacaram a cidade de Azaz, perto de Aleppo, matando ao menos 30 pessoas e deixando feridos, segundo ativistas. Equipes de resgate buscam sobreviventes, enquanto feridos são levados para hospitais próximos, assim como para a fronteira turca para atendimento médico. 

A ofensiva ocorre no momento em que crescem tensões em relação a reflexos do conflito sírio no Líbano, com o sequestro de mais de 20 sírios dentro do país vizinho. A ação, segundo os sequestradores de um clã xiita, é uma retaliação ao sequestro de um libanês por rebeldes na capital síria, Damasco, na segunda-feira. Os sequestros fizeram com que os governos da Arábia Saudita, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos pedissem a seus cidadãos que deixem o Líbano por risco de serem sequestrados. 

Ainda nesta quarta-feira, uma bomba explodiu em Damasco , capital da Síria, perto de um hotel onde estão hospedados integrantes da missão observadora da ONU. De acordo com a TV estatal síria, o ataque deixou três feridos, nenhum deles funcionários da organização.

A explosão aconteceu a cerca de 300 metros de uma instalação militar síria. O hotel sofreu danos leves e o fogo levou menos de uma hora para ser controlado. O vice-ministro sírio das Relações Exteriores, Faisal Mekdad, visitou a região do ataque, que chamou de "ato criminoso". "Esse tipo de explosão não afetará nosso país", afirmou.

Também nesta quarta-feira, ativistas disseram que combates entre as forças de segurança e os rebeldes que lutam contra o governo do presidente Bashar Al-Assad foram registrados em várias regiões do país, inclusive em Damasco. Os choques na capital teriam acontecido em frente ao quartel-general do governo e ao prédio da Embaixada do Irã.

Na terça-feira, o secretário americano da Defesa, Leon Panetta, afirmou que o Irã está montando e treinando uma milícia para ajudar Assad a reprimir a revolta popular. Os esforços do governo iraniano, disse Panetta, "apenas aumentarão as mortes e impulsionarão um regime que cairá".

Com AP e BBC

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