Decisão de aposentar militares foi para 'benefício da nação', diz líder egípcio

Em decisão inesperada, Mohammed Morsi anunciou no domingo retirada do ministro da Defesa, Hussein Tantawi, que havia assumido como interino após queda de Mubarak

iG São Paulo | - Atualizada às

O presidente egípcio, Mohammed Morsi, disse que a ordem para aposentar os dois principais chefes militares do país foi feita pelo “benefício da nação”.

Mudança: Presidente egípcio ordena retirada de chefe das Forças Armadas

A declaração foi feita após Morsi retirar dos cargos o ministro da Defesa, Hussein Tantawi , e o chefe do Estado-Maior, Sami Annan , no domingo, quando também cancelou uma declaração constitucional que limitava os poderes presidenciais, devolvendo à fugira do presidente poderes executivos e legislativos.

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Multidão se reuniu na Praça Tahrir, no Cairo, para manifestar apoio ás mudanças anunciadas por Morsi (12/8)

“As decisões que tomei hoje não pretendiam de maneira alguma atingir determinadas pessoas, também não tive intenção de constranger instituições, tampouco era meu objetivo restringir liberdades”, disse Morsi em um discurso no domingo para marcar o mês do Ramadã, sagrado para os muçulmanos.

Após a queda do ex-presidente Hosni Mubarak , os militares assumiram poderes que antes eram do presidente. Além disso, pouco antes de Morsi tomar posse como novo líder, os militares emitiram em junho uma declaração constitucional que dava aos militares o poder de legislar, assim como controlar o orçamento e o direito de supervisionar o processo de redação de uma nova Constituição. Ainda não está claro, no entanto, como a Corte Constitucional reagirá à anulação do decreto feita por Morsi.

No Cairo, milhares se reuniram na noite de domingo na Praça Tahrir para manifestar apoio às mudanças anunciadas por Morsi.

Reação

Após a decisão, as Forças Armadas não pareciam demonstrar surpresa diante da substituição de Tantawi e Annan – por Abdel-Fattah el-Sissi e Sidki Sayed Ahmed, respectivamente. A mídia estatal citou uma fonte militar dizendo que não houve “reação negativa” por parte dos integrantes das Forças Armadas.

Na segunda-feira, militares egípcios demonstraram apoio às mudanças anunciadas por Morsi de aposentar os dois maiores chefes militares do país.

Na página do Facebook conhecida por ser ligada a ex-militares do país, um post dizia que as mudanças passam de maneira “natural” a liderança a uma geração mais jovem. “Uma saudação do coração cheio de gratidão, amor e respeito aos nossos líderes que passaram o estandarte. Eles estarão em nossos olhos e corações. As Forças Armadas são uma instituição de prestígio, com uma doutrina de muita disciplina e compromisso com a legitimidade“, disse o post.

Em seu discurso, Morsi elogiou as Forças Armadas, dizendo que elas agora deveriam focar “na missão sagrada de proteger a nação”.

Tantawi, marechal de 76 anos que foi ministro do regime de Mubarak, ainda não se manifestou se aceitará as mudanças. O general Mohammed al-Assar, membro do Conselho Supremo das Forças Armadas, disse à Reuters que a decisão foi “baseada na consulta com o marechal e o restante do conselho militar”.

De acordo com o porta-voz da presidência egípcia, Annan e Tantawi foram apontados como conselheiros presidenciais e foram condecorados com a maior honra de Estado do Egito, o Grande Colar do Nilo.

TV

Também nesta segunda-feira, a Procuradoria-Geral egípcia anunciou ter levado à Justiça o proprietário de uma rede de televisão privada e o redator-chefe de um jornal independente por injúrias contra o presidente Morsi.

Tewfik Okacha, proprietário da televisão Al-Farain , é acusado de ter "incitado o assassinato" do presidente islamita. Já Islam Afifi, redator-chefe do Al-Dostur, é acusado de publicar "informações falsas" prejudiciais para o chefe de Estado, indicou o porta-voz da procuradoria.

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No Cairo, Morsi (D) recebe o general Abdel-Fattah el-Sissi, apontado como novo ministro da Defesa (12/8)

O canal Al-Farain, com sede no Cairo, é favorável ao presidente deposto Hosni Mubarak e famoso por seus comentários virulentos contra os islamitas, especialmente contra a Irmandade Muçulmana.

O anúncio de sua suspensão , na semana passada, ocorreu em meio a um clima tenso entre parte da imprensa e o novo governo, com a decisão de três jornais independentes de publicar espaços em branco, em vez de seus editoriais habituais.

Os jornais buscaram protestar contra o que acreditam ser uma vontade de controle da imprensa por parte Irmandade Muçulmana, após a nomeação de diversas pessoas ligadas aos islamitas para postos de direção de jornais do governo.

*Com BBC, AP e AFP

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