Policial sênior da Síria deserta para a Jordânia, diz oposição

Em domingo de conflitos, Liga Árabe adiou reunião de ministros do Exterior que iria escolher um substituto para Kofi Annan

iG São Paulo |

Reuters
Rebelde ajuda mulher a atravessar a rua durante confronto em Aleppo

Em mais um dia de conflitos entre rebeldes sírios e forças do presidente Bashar al-Assad, o vice-comandante da polícia da província central síria de Homs desertou para a Jordânia, afirmou neste domingo uma fonte da oposição.

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"O general da brigada Ibrahim al-Jabawi cruzou a fronteira para a Jordânia. Ele irá anunciar sua deserção na televisão al-Arabiya mais tarde", afirmou à Reuters uma autoridade do Conselho da Revolução Superior, uma organização de ativistas.

Jabawi é de Deraa, uma província rural onde a revolta contra Assad começou 17 meses atrás, antes de se espalhar para o resto do país.

A autoridade de nível mais alto a abandonar Assad desde que a insurreição começou foi o primeiro-ministro da Síria, Riyad Hijab, na semana passada.

Neste domingo, a Liga Árabe adiou a reunião de ministros do Exterior que iria discutir a crise na Síria e escolher um substituto para Kofi Annan, enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe ao país. Uma nova data ainda será definida.

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Ahmed Ben Helli, da Liga Árabe, afirmou à Reuters que a reunião foi postergada por causa da cirurgia do ministro do Exterior saudita, o príncipe Saud al-Faisal. O ministro passou por pequena operação no intestino nesta sábado.

A Arábia Saudita e o Catar têm liderado os esforços para isolar o presidente sírio, Bashar al-Assad. Acredita-se que os dois Estados estejam fornecendo armas para os rebeldes sírios.

Confronto em Aleppo
Os rebeldes sírios resistiram às tropas do regime de Bashar al-Assad neste domingo em Aleppo, cidade-chave do conflito. Quatro dias depois de ter lançado sua ofensiva terrestre para expulsar os rebeldes de Aleppo (norte), tanques e aviões de combate do Exército mantêm os bombardeios contra vários bairros.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), os bairros de Chaar, Tariq al-Bab, Hanano, Boustane al-Qasr e Salaheddine têm sido alvo de violentos disparos de artilharia.

O Exército Sírio Livre (ESL, formado por desertores e civis que pegaram em armas) afirmou ter retomado posições "estratégicas" em Salaheddine, setor fundamental para os rebeldes do qual o Exército afirmava manter totalmente o controle.

Segundo o jornal oficial Al-Watan, o caminho para o bairro Sukkari, segundo reduto mais importante para os rebeldes, "está mais aberto para o Exército, que tomou o controle de vários eixos que o permitem ocupá-lo".

As comunicações estão totalmente cortadas com a cidade e não é possível entrar em contato com os militantes no local.

Execuções sumárias
Com a violência atingindo a marca de mais de 21.000 mortos desde o início da revolta contra o presidente Assad, em março de 2011, as duas partes estão envolvidas em novos casos de atrocidades.

Em Homs (centro), soldados ajudados por milicianos "executaram" dez jovens no bairro de Chamas, onde entraram após horas de bombardeio, de acordo com o Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão opositora.

As vítimas foram escolhidas entre 350 pessoas reunidas em um local, indicou o CNS, que disse temer um "terrível massacre". Essa informação não pôde ser confirmada por fontes independentes.

Em outro episódio, três crianças com entre seis e onze anos morreram atingidas por tiros disparados contra um ônibus que transportava habitantes que fugiam do bairro, de acordo com o OSDH.

Um jornalista da agência oficial Sana, Ali Abbas, foi assassinado no sábado à noite em sua casa na província de Damasco, indicaram a agência e o OSDH.

Já na província de Damasco, dois soldados de um centro de defesa aérea foram mortos pelos rebeldes, enquanto as localidades vizinhas de Al-Tal e de Harista eram bombardeadas, de acordo com o OSDH, ONG com sede na Grã-Bretanha que baseia seus registros em uma rede de militantes e de testemunhas.

Combates eram registrados também nas províncias de Idleb (noroeste) e de Deraa (sul), berço da revolta contra o regime Assad, cuja família governa o país com mão de ferro há quatro décadas.

AP
Prédios em ruínas em Homs, um dos locais destruído pelos conflitos

* Com Reuters e AFP

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