Número de refugiados sírios desde início do conflito chega a 150 mil, diz ONU

Conferência em Teerã propõe 'grupos de contato' para dar fim à violência e promover diálogo entre governo e oposição

iG São Paulo | - Atualizada às

Um número crescente de civis sírios está deixando as áreas de combates, especialmente na cidade de Aleppo, levando o total de refugiados sírios registrados para quase de 150 mil em quatro países vizinhos desde o início do conflito, disse a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira.

Salah al-Din:  Rebeldes sírio perdem posições e são obrigados a recuar de distrito

O total inclui 50.227 refugiados na Turquia, onde mais de 6 mil chegaram somente nesta semana.

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Refugiados sírios no campo de Zaatari, em Mafraq, Jordânia

"Houve certamente na semana passada um crescimento significativo no número de refugiados chegando à Turquia, e muitas dessas pessoas estão vindo de Aleppo e de vilas vizinhas", disse Adrian Edwards, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). "Agora, se você olhar para outras áreas, acho que a situação é de crescimento constante e crescente, mas onde há combates, tendemos a ver as consequências", disse.

Forças sírias forçaram rebeldes a sair do estratégico distrito de Salah al-Din, em Aleppo, mas a região ainda é palco de confrontos. A ONU afirma que o conflito que envolve a Síria não terá um vencedor.

Até a noite de quinta-feira, havia 45.869 refugiados sírios registrados na Jordânia, 36.841 no Líbano e 13.730 no Iraque, país que também já registrou a volta de 23.228 iraquianos que estavam na Síria desde o dia 18 de julho, de acordo com a ACNUR, sediada em Genebra.

"Em vários países sabemos que há um número substancial de refugiados que não foram registrados", disse Edwards.

Alguns refugiados sírios também foram para outros países como Argélia, Egito e Marrocos, além de Evros, região grega que faz fronteira com a Turquia, disse Edwards, acrescentando que o número de refugiados nesses países é "realmente pequeno" se comparado com os das nações vizinhas da Síria.

Conferência

A crise na Síria foi tema da conferência realizada no Irã, que contou com a participação de cerca de 30 países e organizações e propôs a criação de um "grupo de contato" para "dar fim à violência e promover um diálogo integrador entre o governo sírio e a oposição".

Os participantes - entre eles Rússia, China, Índia, Irã e alguns países da Aliança Bolivariana para os Povos da América (Alba) - consideram "o diálogo nacional a única maneira de resolver o conflito da Síria", segundo um comunicado divulgado nesta sexta-feira.

A nota, que expressa o desejo dos participantes em realizar novos encontros, pede à Síria que cesse os confrontos durante "três meses" para iniciar negociações mediante "mecanismos pacíficos".

Os países também demonstraram preocupação pelos enfrentamentos, pela violação dos direitos humanos, pela perda de vidas e pelos danos causados ao povo sírio.

Além disso, os participantes respaldam o que consideram "exigências legítimas do povo sírio para as reformas no país a fim de construir a democracia e promover a associação política dos diferentes partidos" para que o país possa ser governado "de maneira pacífica e em um ambiente tranquilo, sem influência estrangeira".

Na reunião, ficou acordado que sejam mantidos os princípios de "não intervenção" e respeito "à soberania nacional e integridade territorial" da Síria.

O grupo expressou ainda preocupação em relação à entrada de grupos terroristas conhecidos, como a Al-Qaeda, no conflito sírio. Além disso, enfatizaram "a necessidade de prestar assistência humanitária ao povo da Síria a fim de diminuir a difícil situação em que se encontra".

A reunião, convocada pelo Irã, o mais firme aliado do regime de Damasco no Oriente Médio, pretende ser uma alternativa à reunião dos Amigos da Síria, convocada anteriormente pelos Estados Unidos e seus aliados, que apoiam os rebeldes opositores ao governo sírio.

Os rebeldes, oriundos principalmente da maioria sunita da população, têm apoio de vários governos ocidentais e árabes. Já o presidente sírio, Bashar al-Assad, da seita minoritária alauíta, possui como principais aliados Rússia, China e Irã.

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Refugiados sírios chegam à cidade iraquiana de Qaim, na fronteira com a Síria (26/7)

Um funcionário do alto escalão do governo americano disse nesta sexta-feira que os EUA estão se preparando para anunciar novas sanções dirigidas à Síria e outras entidades que apoiam o governo de Assad. "Vamos apertar ainda mais com sanções adicionais direcionadas tanto às entidades sírias quanto àqueles que apoiam os esforços do governo sírio para oprimir seu próprio povo", disse o funcionário que acompanha a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, em sua viagem a Gana.

O Tesouro dos Estados Unidos impôs nesta sexta-feira uma nova rodada de sanções econômicas ao libanês Hezbollah por prestar apoio ao governo sírio. As recentes ações do Tesouro contra a Síria buscam congelar qualquer ativo que o Hezbollah possa ter sob jurisdição dos EUA e proibir americanos e empresas dos EUA de negociar com ele.

Em comunicado, o Tesouro americano afirmou que o Hezbollah vem prestando treinamento, aconselhamento e apoio logístico extenso ao governo da Síria.

*Com Reuters e EFE

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