Rebeldes sírio perdem posições e são obrigados a recuar de distrito de Aleppo

Membros do Exército Livre da Síria se retiram de Salah al-Din diante de ofensiva das tropas sírias para retomar controle da área; presidente sírio nomeia novo primeiro-ministro

iG São Paulo | - Atualizada às

Rebeldes opositores ao regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, perderam posições em Aleppo, nesta quinta-feira, depois de intensos combates pelo controle do distrito estratégico de Salah al-Din .

Pós-deserção:  Presidente sírio nomeia novo premiê em meio a combates em Aleppo

Integrantes do Exército Livre da Síria (ELS) se retiraram nesta quinta-feira de Salah al-Din, diante da ofensiva lançada pelas tropas governamentais para retomar o controle da área.

AP
Sírio protesta em funeral de jovem de Husain Al-Ali, 29 anos, membro do Exército Livre da Síria morto em Aleppo

Um porta-voz do ELS, o coronel desertor Qasem Saadedin, afirmou que seus combatentes se retiraram do local por "motivos táticos", sem entrar em maiores detalhes.

Em Aleppo, a ativista Wed Al-Hayat relatou que a retirada dos insurgentes ocorreu por falta de munição para enfrentar as forças leais a Assad.

"Há poucas brigadas do Exército Livre da Síria em Salah al-Din, e os bombardeios são muito intensos", acrescentou Al-Hayat, que destacou a presença de um alto número de franco-atiradores na região.

O distrito de Salah al-Din está situado no sudoeste da cidade de Aleppo, centro econômico da Síria que nas últimas semanas foi palco de fortes confrontos entre as tropas do regime e os rebeldes.

O Exército sírio mantém desde quarta-feira uma grande ofensiva em Aleppo, submetida a intensos bombardeios, especialmente no distrito onde os rebeldes estavam entrincheirados.
A televisão estatal síria informou que as forças governamentais mataram dezenas de supostos terroristas (denominação dada aos opositores armados pelo regime) - e os expulsaram de bairros de Aleppo.

Piora: Situação humanitária é precária em Aleppo

A ofensiva do Exército sírio também ocorre em outras províncias como Deraa, Hama, Deir al-Zur e nos arredores de Damasco.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) informou nesta quinta-feira que conseguiu levar a Aleppo alimentos e outros produtos básicos suficientes para cobrir as necessidades de pelo menos 12,5 mil pessoas durante as próximas semanas.

"Aleppo preocupa de maneira especial o CICV, não só por sua distância geográfica, mas porque o Crescente Vermelho Sírio teve de suspender a maior parte de suas atividades devido ao perigo extremo existente no terreno", afirmou em comunicado Marianne Gasser, chefe da delegação da Cruz Vermelha no país árabe.

Apesar da suspensão, Gasser indicou que "ainda há alguns voluntários que continuam trabalhando sob condições extremamente difíceis para fazer frente às necessidades crescentes da população civil" na segunda maior cidade da Síria.

O CICV cifrou em "milhares" o número de pessoas que tiveram de fugir de suas casas em consequência do recrudescimento da violência em Aleppo e acrescentou ainda que muitos estão se alojando em prédios públicos transformados em refúgios improvisados.

Mais de 80 escolas em diversas partes da província de Aleppo recebem civis que fogem dos combates, indicou o CICV, garantindo ter assistido a mais de 125 mil pessoas em todo o país nas últimas três semanas apesar da intensidade do conflito.

Premiê

Ainda nesta quinta-feira, o presidente sírio nomeou nesta quinta-feira um novo premiê , em substituição a Riad Hijab , que desertou e se uniu à revolta popular contra o regime.

De acordo com a imprensa estatal, o novo primeiro-ministro sírio é Wael Nader al-Halqi, integrante do partido Baath que até então ocupava o cargo de ministro da Saúde. Al-Halqi nasceu em Deraa, um dos epicentros da revolta contra Assad, que começou em março de 2011.

Também nesta quinta-feira, teve início em Teerã, capital iraniana, uma conferência sobre a Síria, convocada por iniciativa do Irã, principal aliado regional do regime sírio. A TV estatal iraniana  mostrou imagens de cerca de 30 representantes de diferentes países no encontro, como Rússia, China, Paquistão, Iraque, Argélia e Venezuela.

Reuters
Rebelde se prepara para atirar durante confronto com o Exército sírio em Aleppo (07/08)

*Com EFE

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