Primeiro-ministro deixa a Síria e se une à revolta contra Assad

No cargo há menos de dois meses, Riad Hijab deixa 'regime assassino e terrorista', na mais importante deserção enfrentada pelo presidente sírio

iG São Paulo | - Atualizada às

Reuters
Riyad Hijab, ex-premiê da Síria, em foto de 2011

O primeiro-ministro da Síria, Riad Hijab, desertou do governo do presidente Bashar Al-Assad e se uniu "à revolução", afirmou seu porta-voz nesta segunda-feira.

Hijab assumiu o cargo há menos de dois meses e sua deserção é a mais importante enfrentada por Assad desde que a revolta popular contra seu regime começou, em março de 2011.

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"Anuncio hoje minha deserção do regime assassino e terrorista e anuncio que me uni ao grupo que faz a revolução da liberdade e da dignidade", afirmou Hijab, em comunicado lido por seu porta-voz.

Há boatos de que a família dele também deixou a Síria. Muçulmano sunita, Hijab é de Deir al-Zour, uma área do leste da Síria palco de intensos confrontos entre as forças de segurança e os rebeldes. Seu paradeiro é incerto e o porta-voz Mohammed el-Etri afirmou apenas que o ex-premiê está "em um local seguro" na Jordânia.

Há relatos de que dois ministros de Assad desertaram junto com o ex-premiê e que um terceiro, o chefe da pasta das Finanças, Mohammad Jalilati, foi preso quando tentava deixar o país.

A TV estatal síria, porém, disse que ele estava em seu gabinete, trabalhando normalmente, além de transmitir uma suposta entrevista por telefone na qual Jalilati negava os rumores. A TV síria também reportou a saída do premiê do governo, sem explicar o motivo. Seu substituto será Omar Ghalawanji.

O governo de Assad vem enfrentando deserções importantes, como a de diplomatas sírios no exterior e a do general Manaf Tlas, até então considerado um aliado de Assad. Cerca de 30 outros generais fugiram para a Turquia, de acordo com a imprensa turca.

Também nesta segunda-feira, a imprensa estatal disse que uma bomba atingiu o terceiro andar do prédio da TV estatal em Damasco, deixando três feridos. 

A violência aumentou na capital síria neste fim de semana, quando 48 iranianos foram sequestrados em Damasco por rebeldes que os acusaram de fazer parte da Guarda Revolucionária , o Exército de elite do Irã. O governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad disse que o grupo é formado por peregrinos.

Com Reuters e BBC

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