Após críticas da ONU, combates aumentam na capital da Síria

Fortes explosões atingem Damasco e imprensa do Irã diz que 48 iranianos foram sequestrados durante peregrinação

iG São Paulo | - Atualizada às

Fortes explosões atingiram a capital da Síria, Damasco, neste sábado, numa escalada dos combates entre as forças de segurança e os rebeldes que lutam contra o regime do presidente Bashar Al-Assad. A nova onda de violência acontece um dia depois de a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) ter aprovado uma resolução que critica o fracasso do Conselho de Segurança em sua atuação no conflito, condena o governo pelo uso de armas pesadas e exige uma transição política.

Leia também:  Assembleia da ONU critica fracasso de Conselho de Segurança na Síria

AP
Imagem de vídeo mostra combates em Zabadano, perto de Damasco


Há duas semanas, forças do governo frustraram uma ofensiva rebelde em Damasco que incluiu incursões por vários bairros e um ousado ataque a bomba que matou autoridades do governo. “Estamos ouvindo bombas desde a madrugada”, disse uma testemunha. “Muitos helicópteros estão sobrevoando a cidade.”

Em meio aos combates, a agência oficial de notícias do Irã afirmou que 48 iranianos foram sequestrados neste sábado enquanto faziam uma peregrinação na capital síria.

Segundo a Irna, os peregrinos foram capturados por "grupos armados" na estrada de acesso ao aeroporto de Damasco, quando retornavam de um santuário.

A TV estatal da Síria informou que "grupos terroristas armados" sequestraram os peregrinos, que estavam em um ônibus num subúrbio de Damasco, e acrescentou que as partes envolvidas estavam lidando com a situação. Esta não é a primeira vez que peregrinos iranianos são alvo de sequestro na Síria. Em fevereiro, 11 peregrinos iranianos foram sequestrados na Síria, dias depois de outro grupo ter sido levado por homens armados. Outros cinco iranianos, desta vez técnicos, foram sequestrados em dezembro na conflagrada cidade síria de Homs.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Ali Akbar Salehi, pediu a seu colega turco, Ahmet Davutoglu, a imediata intervenção da Turquia para a libertação dos peregrinos, segundo a Irna. Desde o ano passado, as autoridades turcas já intermediaram a libertação de cidadãos iranianos sequestrados na Síria. Segundo a agência iraniana "Fars", um funcionário sírio, cuja identidade não foi revelada, responsabilizou membros do Exército Livre Sírio (ELS) pelo sequestro dos peregrinos nos arredores do aeroporto de Damasco.

Mais bombardeios

A batalha pela cidade de Aleppo, onde parte do território é controlada pelo rebelde Exército Livre Sírio (ELS), se intensificou neste sábado devido aos bombardeios por terra e por ar das forças governamentais. Em comunicado, a opositora Comissão Geral da Revolução Síria assegurou, por sua parte, que pelo menos 94 pessoas morreram hoje em ações de violência no país, 24 delas na província nordeste de Deir el Zur.

Os rebeldes lançaram um ataque para tentar apoderar-se da sede da emissora de rádio e televisão em Aleppo, mas foram repelidos pelas tropas governamentais com ajuda de helicópteros, segundo explicou à Agência Efe por telefone o "número dois" do ELS, Malek Kurdi. "As tropas já não enfrentam diretamente o ELS, mas bombardeiam a cidade com helicópteros, tanques e artilharia pesada", apesar do que, assinalou Kurdi, não conseguiram ainda dominar os insurgentes. Aviões também participam dos combates.

Críticas da ONU

Na sexta-feira, uma resolução proposta pelo governo da Arábia Saudita com apoio árabe e Ocidental foi aprovada pela Assembleia Geral da ONU por 133 votos, com 12 países contra e 31 abstenções. Outros 17 países não participaram da votação.

Os membros da Assembleia criticaram "o fracasso do Conselho de Segurança de alcançar medidas" para obrigar o regime sírio a aplicar as resoluções da ONU para pôr fim a quase 17 meses de conflito.

Rússia e China, que vetaram em três ocasiões as resoluções do Conselho que ameaçam impor sanções a Damasco, votaram contra a resolução. Os outros dez votos contrários vieram de países que costumam se contrapor às potências ocidentais, como Irã, Coreia do Norte, Beilo-Rússia e Cuba.

Ao contrário do que ocorre no Conselho de Segurança, onde cinco países (além de China e Rússia, EUA, Reino Unido e França) têm poder de veto, nenhuma nação pode vetar decisões da Assembleia Geral, que reúne todos os 193 países da entidade. Por outro lado, as decisões da Assembleia nunca são de cumprimento obrigatório.

Com AP e EFE

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