Rússia envia três navios de guerra para reabastecer base na Síria, diz agência

Segundo imprensa russa, embarcações que juntas têm 360 militares a bordo levarão comida e remédios para instalação em porto de Tartus

iG São Paulo |

A Rússia enviou três navios de guerra com um total de 360 militares a uma base naval do país no porto sírio de Tartus, informaram três agências de notícias russas nesta sexta-feira. De acordo com autoridades não identificadas, os navios vão reabastecer a base com alimentos e remédios e a mobilização não tem relação com a revolta contra o presidente da Síria, Bashar Al-Assad.

As informações não foram confirmadas oficialmente pelo Exército russo, que se recusou a fazer qualquer comentário. Fontes militares ouvidas pelas agências, que não foram identificadas, disseram que os navios já estão no Mediterrâneo e devem chegar a Tartus ainda nesta semana ou no começo da próxima.

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Reuters
Fumaça é vista em Al-Safsaf, em Homs, onde forças de segurança e rebeldes sírios combatem

De acordo com as fontes, cerca de cem militares trabalham no local, que não é grande o suficiente para abrigar todos os navios. Por isso, apenas um irá ancorar, segundo a agência Interfax.

Segundo as informações das agências, os navios devem voltar em breve ao porto russo de Novorossiysk, mas não está claro se os soldados ficarão em território sírio.

A base na Síria é importante para a presença russa no Oriente Médio. No ano passado, Damasco comprou o equivalente a US$ 1 bilhão em armas da Rússia, ou 8% do total das exportações bélicas de Moscou.

Moscou é também o mais firme aliado de Assad, que há 17 meses reprime com brutal violência uma rebelião que tenta derrubá-lo. A Rússia tem usado seu poder de veto no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para blindar Assad de qualquer resolução que possa resultar em sanções ao regime sírio.

Nesta sexta-feira, os russos criticaram o Ocidente pelo fracasso dos esforços diplomáticos encabeçados pelo enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, que renunciou na quinta-feira.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores ressaltou a urgência em encontrar um substituto para Annan e disse ter feito todo o possível para apoiar o plano de paz do enviado da ONU. Segundo a Rússia, os opositores se recusaram a negociar, "apoiados por nossos parceiros do Ocidente e nações da região".

"Apesar das decisões do Conselho de Segurança da ONU, eles continuaram dando apoio político, moral, material, técnico e financeiro aos grupos da oposição, encorajando a falta de reconciliação", afirmou.

Assembleia da ONU

A Assembleia Geral da ONU deve votar nesta sexta-feira uma resolução que condena o uso de armamento pesado para reprimir a revolta na Síria, que começou em março de 2011 e já deixou cerca de 19 mil mortos. A resolução – que como todas as da Assembleia Geral não tem força legal – deve denunciar a Síria por usar tanques, artilharia, helicópteros e aviões de guerra contra a população em Aleppo e Damasco, e exigir que o regime de Assad mantenha armas químicas e biológicas em local seguro.

Acredita-se que a resolução seja aprovada pela Assembleia, composta por 193 países, após a Arábia Saudita, responsável pelo texto, ter suprimido dois pontos do rascunho original: a exigência da renúncia de Assad e um apelo para que mais países imponham sanções contra a Síria.

O apelo pela renúncia de Assad provocou críticas de alguns países, a começar por Rússia e China. O embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, disse que não poderia apoiar uma resolução “extremamente parcial”. “Os países que estão fazendo lobby por essa resolução são os que mais ativamente enviam armas aos opositores”, afirmou. “Isso, infelizmente, tornou os esforços de Kofi Annan tão difíceis”, acrescentou, em referência ao enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, que renunciou ao cargo na quinta-feira.

Mas Rússia e China não foram os únicos a demonstrar reservas quanto à resolução, algo também feito por Brasil, Índia, Paquistão, África do Sul e Argentina, entre outros.

Como a linguagem dura poderia fazer com que o texto não recebesse os 100 votos necessários para a aprovação, as modificações foram feitas. Agora, o texto pede que as forças de segurança ponham fim à violência e “deplora o fracasso do Conselho de Segurança em agir”, num ataque indireto à Rússia e China.

A última resolução da Assembleia Geral sobre a Síria, de fevereiro, recebeu 137 votos a favor, sendo aprovada, portanto, por unanimidade.

Com Reuters e AP

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