Morteiros atingem campo palestino na Síria enquanto ONU discute resolução

Ataque contra refugiados deixa 20 mortos no momento em que Assembleia Geral se prepara para votar texto que condena violência, mas não tem força legal

iG São Paulo | - Atualizada às

Morteiros atingiram um campo de refugiados palestinos em Damasco, capital da Síria, nesta sexta-feira, mesmo dia em que a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) deve votar uma resolução condenando o uso de armamentos pesados pelas forças do presidente Bashar Al-Assad.

Os morteiros que atingiram o campo de Yarmouk deixaram ao menos 20 mortos, de acordo com uma agência da ONU. “Não sabemos de onde os morteiros vieram, se eram do regime sírio ou não”, disse o ativista Rami Abdul Rahman, diretor do Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que tem sede em Londres. Ele afirmou que os morteiros podem ter atingido o local por acidente, já que forças de Assad e rebeldes estão combatendo na região próxima de Tadamon.

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Reuters
Sírio chora durante enterro em massa de rebeldes supostamente mortos pelas forças de Assad em Jdeidet Artouz, perto de Damasco (01/08)

O governo sírio culpou “mercenários terroristas”, termo usado para se referir aos rebeldes, pelos disparos dos morteiros. Um vídeo postado na internet mostrou corpos cheios de sangue e queimados no campo de Yarmouk, além de uma multidão gritando em meio à fumaça.

Forças de segurança sírias já atacaram o campo de refugiados, que abriga 150 mil palestinos que deixaram suas casas após a criação de Israel, em 1948. Yarmouk está localizado em meio a áreas simpáticas aos rebeldes, onde combates são frequentes.

As mortes desta sexta-feira expõem a difícil situação dos refugiados na Síria . O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, que tenta manter neutralidade no conflito sírio, condenou o ataque a Yarmouk.

“Exigimos o fim imediato de assassinatos e destruição em campos de refugiados, assim como a proteção a seus moradores”, afirmou o gabinete de Abbas, em comunicado.

Assembleia da ONU

A Assembleia Geral da ONU deve votar nesta sexta-feira uma resolução que condena o uso de armamento pesado para reprimir a revolta na Síria, que começou em março de 2011 e já deixou cerca de 19 mil mortos. A resolução – que como todas as da Assembleia Geral não tem força legal – deve denunciar a Síria por usar tanques, artilharia, helicópteros e aviões de guerra contra a população em Aleppo e Damasco, e exigir que o regime de Assad mantenha armas químicas e biológicas em local seguro.

Acredita-se que a resolução seja aprovada pela Assembleia, composta por 193 países, após a Arábia Saudita, responsável pelo texto, ter suprimido dois pontos do rascunho original: a exigência da renúncia de Assad e um apelo para que mais países imponham sanções contra a Síria.

O apelo pela renúncia de Assad provocou críticas de alguns países, a começar por Rússia e China, que vetaram três resoluções do Conselho de Segurança da ONU que poderia ter aberto portas para sanções ou até uma intervenção militar na Síria.

O embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, disse que não poderia apoiar uma resolução “extremamente parcial”. “Os países que estão fazendo lobby por essa resolução são os que mais ativamente enviam armas aos opositores”, afirmou. “Isso, infelizmente, tornou os esforços de Kofi Annan tão difíceis”, acrescentou, em referência ao enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, que renunciou ao cargo na quinta-feira.

Mas Rússia e China não foram os únicos a demonstrar reservas quanto à resolução, algo também feito por Brasil, Índia, Paquistão, África do Sul e Argentina, entre outros.

Como a linguagem dura poderia fazer com que o texto não recebesse os 100 votos necessários para a aprovação, as modificações foram feitas. Agora, o texto pede que as forças de segurança ponham fim à violência e “deplora o fracasso do Conselho de Segurança em agir”, num ataque indireto à Rússia e China.

A última resolução da Assembleia Geral sobre a Síria, de fevereiro, recebeu 137 votos a favor, sendo aprovada, portanto, por unanimidade.

Com AP

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