Assembleia da ONU critica fracasso de Conselho de Segurança na Síria

Medida também condena governo de Assad por uso de armas pesadas contra opositores e exige transição política no país

iG São Paulo | - Atualizada às

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou nesta sexta-feira uma resolução que critica o fracasso do Conselho de Segurança em sua atuação no conflito na Síria, condena o governo sírio pelo uso de armas pesadas e exige uma transição política no país.

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AP
Mão é vista em tela apertando botão para votar em resolução contra a Síria na Assembleia Geral da ONU

A resolução, proposta pelo governo da Arábia Saudita com apoio árabe e Ocidental, foi aprovada por 133 votos, com 12 países contra e 31 abstenções. Outros 17 países não participaram da votação.

Os membros da Assembleia criticaram "o fracasso do Conselho de Segurança de alcançar medidas" para obrigar o regime sírio a aplicar as resoluções da ONU para pôr fim a quase 17 meses de conflito.

Rússia e China, que vetaram em três ocasiões as resoluções do Conselho que ameaçam impor sanções a Damasco, votaram contra a resolução. Os outros dez votos contrários vieram de países que costumam se contrapor às potências ocidentais, como Irã, Coreia do Norte, Beilo-Rússia e Cuba.

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Ao contrário do que ocorre no Conselho de Segurança, onde cinco países (além de China e Rússia, EUA, Reino Unido e França) têm poder de veto, nenhuma nação pode vetar decisões da Assembleia Geral, que reúne todos os 193 países da entidade. Por outro lado, as decisões da Assembleia nunca são de cumprimento obrigatório.

O texto também condenou o uso das autoridades sírias de armas pesadas, incluindo bombardeio indiscriminado por tanques e helicópteros e pediu que o governo do presidente Bashar al-Assad se abstenha de utilizar armas químicas . O texto pede ainda "uma transição política dirigida pela Síria, rumo a um sistema político democrático e pluralista".

Os EUA e potências europeias culpam a Rússia pelo impasse no Conselho. Muitos dos elementos de uma resolução do Conselho vetada no mês passado foram incluídas na resolução da Assembleia. A Rússia atribui o impasse ao Ocidente, acusando os EUA e seus aliados de darem apoio explícito aos rebeldes.

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Reuters
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Antes da votação, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu às grandes potências que superem suas rivalidades e encontrem um terreno de entendimento para pôr fim ao conflito na Síria, que, segundo ele, virou "uma guerra de poderes". "Os interesses imediatos do povo sírio devem prevalecer sobre as rivalidades ou as lutas de influência", declarou Ban.

O chefe da ONU assegurou que os atores regionais e internacionais estão "armando um bando um contra o outro", enquanto os combates entre o Exército e os rebeldes se intensificaram nas últimas semanas em Damasco e Aleppo (norte).

A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, elogiou o texto votado na Assembleia, e disse que há uma "minoria cada vez mais isolada" impedindo uma ação mais firme contra Assad.

O embaixador sírio na ONU, Bashar Ja'afari, queixou-se de que a votação foi "mais uma peça de teatro" organizada pelo presidente catariano da Assembleia Geral, Nassir Abdulaziz al-Nasser, para impor os interesses do seu país. Arábia Saudita e Catar apoiam os rebeldes contrários a Assad.

*Com Reuters e AFP

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