Ativistas criticam rebeldes por vídeo com execução de partidários de líder sírio

Imagens mostram quatro supostos milicianos pró-Assad sendo mortos por disparos de rifle na cidade de Aleppo, palco de duros confrontos no país árabe

iG São Paulo | - Atualizada às

Ativistas de direitos humanos condenaram a execução pública na Síria de quatro supostos partidários do presidente Bashar al-Assad na cidade de Aleppo. Vídeo veiculado online mostra os quatro homens, entre os quais estava um suposto líder de uma milícia local, sendo colocados contra uma parede e atingidos por disparos de rifles Kalashnikov. De acordo com a Human Rights Watch, o ato era potencialmente um crime de guerra.

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Reprodução
Reprodução de imagem de vídeo que mostra rebeldes sírios se preparando para executar partidários de presidente Bashar al-Assad em Aleppo

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O vídeo, em que também aparecem pilhas de corpos de milicianos do governo em uma estação policial, sugere que os rebeldes estão usando as mesmas táticas pelas quais as forças do líder sírio são criticadas.

O vídeo no YouTube mostra os supostos milicianos sendo levados para um pátio lotado antes de uma prolongada série de disparos começar enquanto pessoas entoavam "Deus é Maior". Enquanto a fumaça subia, uma pilha de corpos amontoados podia ser vista ao lado da parede.

A execução pareceu ser realizada no pátio de uma escola em uma localização não revelada de Aleppo. Ela aconteceu em um momento em que as forças de Assad atacavam bairros residenciais com artilharia e a partir do céu para tentar expulsar os rebeldes.

Nas imagens, cuja veracidade não pôde ser confirmada de forma independente, os homens são identificados como membros da milícia " shabiha " pró-Assad, da família Berri. Pelo menos dois deles usavam roupas de baixo à medida que eram levados por um lance de escadas e alinhados em frente à parede.

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Atiradores disparavam neles com rifles semiautomáticos e continuavam atirando depois de os homens caírem no chão, seus corpos empilhados um sobre os outros.

Outro vídeo mostrou rebeldes alegrando-se triunfantemente na terça-feira, após dominarem uma delegacia na cidade de Nayrab, a sudeste de Aleppo.

"Venham ver as carcaças que morrem por causa de Assad", disse um rebelde antes de a câmera passar pela delegacia de polícia e mostrar pelo menos 15 corpos no jardim e dentro do prédio, que está repleto de buracos de balas e parte queimado.

O vídeo surgiu no mesmo dia em que Assad instou as forças de segurança de seu país a intensificar a luta contra os rebeldes. “Nossa batalha é contra um inimigo multifacetado e com objetivos claros”, disse em comunicado. “Essa batalha determinará o destino do nosso povo e o passado, o presente e o futuro da nação.”

O comunicado de Assad, publicado em uma revista do Exército para marcar o 67º aniversário das Forças Armadas, é divulgado no momento em que a Organização das Nações Unidas (ONU) denuncia uma escalada de violência na cidade de Aleppo, com o uso de armamentos pesados pelas forças de segurança e pelos rebeldes.

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Em sua mensagem, o líder sírio elogiou o comportamento das forças de segurança "na guerra que o país enfrenta contra grupos terroristas". Ele reiterou sua confiança nos militares e os encorajou a prosseguir sua preparação para a batalha que chamou de "crucial" e para que "continuem sendo a fortaleza da nossa nação".

O presidente da Síria disse que os rebeldes pretendem "impedir os sírios de desenvolver seu futuro, mas foram surpreendidos por este povo que se comportou com um coração único para fazer frente a suas conspirações”.

Assad não fazia pronunciamentos públicos desde 18 de julho, quando uma explosão matou autoridades de seu governo em Damasco. Combates continuam acontecendo na capital, mas os confrontos mais duros são em Aleppo, a maior cidade da Síria, para a qual Assad enviou um enorme contingente militar.

*Com BBC e Reuters

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