Forças sírias e rebeldes alegam vitórias em confrontos em Aleppo

Combates em polo econômico sírio acontecem em meio à nova deserção do regime e informação de que comboio da ONU foi atacado no domingo

iG São Paulo | - Atualizada às

O governo sírio e seus oponentes alegaram vitórias nos confrontos da cidade de Aleppo nesta segunda-feira, um dia depois de a chefe humanitária da ONU ter alertado sobre o crescimento da crise no polo econômico sírio, afirmando que 10% de seus residentes fugiram durante dois dias de combates.

ONU: Combates em Aleppo provocam fuga de 200 mil civis sírios

AP
Médicos ajudam ferido na cidade fronteiriça de Azaz, a 32 km de Aleppo, na Síria (29/07)

Repressão: Com tanques e bombardeios, Síria lança ofensiva contra rebeldes em Aleppo

Militantes da oposição disseram que, depois de uma batalha de várias horas com o Exército sírio em Aleppo, a maior cidade do país, tomaram nesta segunda-feira um vital posto de controle a poucos quilômetros a noroeste da cidade, abrindo uma rota para suprimentos e para insurgentes entre Aleppo e a fronteira turca. Ativistas da oposição afirmaram que seus membros capturaram vários tanques e outros veículos militares. Segundo eles, vídeos veiculados nesta segunda mostraram cenas de batalhas noturnas assim como o posto de controle sob seu comando.

"O posto de controle de Anadan, 5 km ao noroeste de Aleppo, foi tomado às 5h (23h de Brasília) depois de dez horas de combates", afirmou o general rebelde Ferzat Abdel Nasser. Mas pareceu duvidoso que os rebeldes pudessem tomar o posto de controle enquanto aviões e helicópteros de combate sírios ofereceram aos governo uma vantagem nos choques.

Enquanto os rebeldes clamavam essa vitória, uma TV estatal síria relatou que o Exército retomou o controle de Salaheddiin, um distrito no sudoeste de Aleppo, onde rebeldes concentraram seus ataques contra tropas do governo. Um oficial militar disse ao canal que os "atiradores mercenários" foram combatidos.

Comandantes da oposição, porém, afirmaram que repeliram uma série de ataques do regime. As declarações contrastantes de progresso no mais recente front do conflito sanguinário não puderam ser confirmadas imediatamente.

Cenário: Além da guerra, medo e fome assustam os sírios em Aleppo

O combate convulsionando Aleppo se desenrola enquanto o governo sírio sofreu mais uma deserção de alto escalão entre seus diplomatas, a quarta desde o início do levante contra Bashar al-Assad, há quase 17 meses. O Ministério de Relações Exteriores do Reino Unido anunciou que o encarregado de negócios Khaled al-Ayoubi, o principal representante diplomático sírio no país europeu, renunciou porque "não deseja mais representar um regime que cometeu tantos atos de violência e opressão". Assim, ele se uniu com diplomatas graduados no Iraque , Chipre e Emirados Árabes Unidos, que formalmente se dissociaram do governo de Assad em semanas recentes.

Ataque contra comboio da ONU

Nesta segunda-feira, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que o comboio no qual viajava o chefe da missão de observadores da ONU na Síria, general Babacar Gaye, foi atacado no fim de semana e só não houve feridos porque os veículos eram blindados. 

EFE
Rebeldes patrulham rua de Aleppo, Síria (29/07)

Ele não deu mais detalhes sobre o ataque, mas funcionários da ONU disseram, pedindo anonimato, que o comboio com cinco veículos foi atingido pelo disparo de armas leves em Talibisa, a cerca de 17 km de Homs. Os funcionários contaram que se tratava de uma área controlada pela oposição.

Ban disse que mais de 12 veículos blindados da ONU foram atacados e destruídos desde que a missão iniciou sua presença na Síria, há mais de três meses.

Embora a missão da ONU tenha suspendido no mês passado a maior parte do seu trabalho de monitoramento, os representantes da ONU continuam realizando atividades limitadas. O mandato de 90 dias da missão foi renovado em 20 de julho por mais um mês.

*Com New York Times e Reuters

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