Combates em Aleppo provocam fuga de 200 mil civis sírios, diz ONU

Imprensa estatal diz que forças de segurança retomaram controle de áreas da cidade, mas rebeldes negam

iG São Paulo | - Atualizada às

Cerca de 200 mil moradores deixaram a cidade síria de Aleppo nos últimos dois dias, informou a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira. As forças de segurança do presidente Bashar Al-Assad disseram ter recuperado o controle de algumas áreas da cidade, na qual lançaram uma dura ofensiva no sábado , afirmação negada pelos rebeldes.

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Reuters
Rebelde sírio descansa próximo à sua arma no distrito de Al-Sukkari, em Aleppo (29/07)

De acordo com a chefe da ONU para questões humanitárias, Valerie Amos, os 200 mil moradores que fugiram de Aleppo (uma estimativa da Cruz Vermelha) representam quase 10% da população da cidade. Segundo Valerie, um grande número de civis também deixou suas casas para buscar abrigo em colégios e prédios públicos e precisam com urgência de comida, água, colchões, cobertores e suprimentos de higiene pessoal.

“Não sabemos quantas pessoas continuam retidas em lugares onde os combates continuam”, afirmou. “Faço um apelo para que todos os lados do conflito não tenham civis como alvo e permitam a entrada segura de organizações humanitárias.

Os conflitos em Aleppo começaram a dez dias, mas foram intensificados no sábado após o governo sírio deslocar milhares de militares para a região.

A TV estatal síria afirmou que as foras de segurança recuperaram o controle do bairro de Salaheddine e causado “grandes perdas” para os rebeldes em outras regiões da cidade. Os ativistas, porém, negaram as informações e disseram que os combates continuam, com ataques aéreos e alguns combates em terra.

De acordo com a BBC, Aleppo está sofrendo com cortes de energia. As forças de segurança usam helicópteros, tanques e outros armamentos pesados, enquanto os rebeldes combatem com bombas de fabricação caseira e fuzis Kalashnikov.

No domingo, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, afirmou que o combate em Aleppo é “um prego no caixão de Assad”, que “perdeu toda a legitimidade”.

“Se eles continuarem este trágico ataque contra seu próprio povo...acho que será um prego no caixão de Assad”, afirmou, na Tunísia, onde dá início a um giro pelo Oriente Médio cujo principal foco é a Síria. “O regime está chegando ao fim.”

O governo sírio tem sofrido deserções importantes, incluindo três diplomatas e vários comandantes militares. Nesta segunda-feira, um funcionário do governo turco afirmou que um general sírio que foi vice-chefe de polícia da região de Latakia cruzou a fronteira para a Turquia junto com outras 11 autoridades.

Também nesta segunda-feira, o encarregado de negócios sírios em Londres, Jaled al Ayubi, renunciou a seu cargo para "não representar mais um regime que cometeu atos de repressão tão violentos contra seu próprio povo", segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido.

Com AP e BBC

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