Líder da oposição síria pede que países estrangeiros armem rebeldes

Combates continuam intensos em Aleppo neste domingo e tropas de Bashar al-Assad usam tanques contra rebeldes posicionados na segunda mais importante cidade do país

iG São Paulo | - Atualizada às

O chefe do Conselho Nacional da Síria (CNS), o principal grupo de oposição, pediu para que países estrangeiros armassem os rebeldes, em meio à ofensiva do governo da Síria na cidade de Aleppo , a segunda mais importante do país, dominada por opositores. Abdel Baset Sayda acrescentou que o presidente Bashar al-Assad deveria ser julgado por "massacres" em vez de ter asilo garantido por países aliados.

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Rebeldes sírios que combatem em Aleppo conversam sentados em caminhonete

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A comunidade internacional se mostrou preocupada e ficou em alerta acerca de um provável derramamento de sangue em Aleppo, a cidade mais populosa da Síria. O governo de Assad enfrenta há 16 meses uma revolta popular que se tornou uma guerra civil, em resposta às ofensivas organizadas pelo Exército contra os protestos.

"Nós queremos armas que possam parar aqueles tanques. É isso que queremos", disse Sayda à agência de notícias AFP , de Abu Dhabi. Ele pediu tambpem que os árabes "amigos e irmãos apoiem o Exército Livre (Sírio)", em referência ao grupo de rebeldes armados formado, em sua maioria, por desertores.

Os rebeldes até o momento não receberam nenhum apoio militar externo. Em abril, os países do Golfo concordaram em pagar salários aos combatentes do Exército Livre Sírio. Críticos apontam que o dinheiro vem sendo usado para a compra de armas no mercado negro.

Sayda acrescentou que o "exemplo iemenita", no qual o presidente Ali Abdullah Saleh conseguiu anistia em troca de deixar o poder "não pode ser aplicado na Síria". "Há massacres sendo cometidos. Nós acreditamos que Bashar al-Assad deve ser julgado. Ele é um criminoso e não deveria ter asilo."

Ele afirmou que o CNS - que atualmente é um grupo exilado - discutiria planos para um governo de transição com os grupos rebeldes envolvidos no combate. "Nós estamos estudando a ideia (de um governo de transição) e vamos manter contato com as forças na Síria", disse.

Ele afirmou que o líder de tal governo deveria ser uma pessoa "honesta e patriota...comprometida com os objetivos da revolução síria desde o início".

Batalha de Aleppo

As tropas sírias continuaram usando tanques e artilharia pesada nos bairros de Aleppo, enquanto rebeldes tentam impedir que o Exército alcance seus domínios na cidade. O bombardeio é parte de uma ofensiva do governo para retomar o controle de distritos que foram conquistados pelos opositores na semana passada.

Ativistas afirmam que os tiros eram mais intensos nos bairros de Salaheddine, a sudoeste, e em partes de Saif al-Dawla, algumas das primeiras áreas ocupadas pelos rebeldes na semana passada.

Segundo analistas, a batalha é extremamente importante para as duas partes. De um lado, o regime espera que seus aliados, os ricos comerciantes de Aleppo, financiem parte do esforço bélico. Os rebeldes aspiram criar uma zona de proteção, como os insurgentes líbios fizeram em Benghazi.

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Tanques do governo sírio em Homs são destruídos


O governo se comprometeu a continuar a batalha e afirmou que agentes da segurança estão vasculhando distritos de Aleppo atrás de grupos armados, provocando inúmeras perdas aos "terroristas" - termo utilizado pelas autoridades sírias para se referir aos rebeldes.

Segundo a agência síria Sana, uma autoridade de Aleppo afirma que as tropas continuariam com os combates até que a cidade seja "purgada" de grupos armados para que a paz e a tranquilidade sejam restauradas.

"Nós enfrentamos bombardeios pesados hoje, mas os rebeldes continuam firmes", disse o ativista Mohammed Saeed, de Aleppo. "Nenhuma tropa do governo conseguiu entrar. Eles estão atirando do lado de fora." Ele acrescentou que os rebeldes estão revidando os ataques.

Ele disse que cerca de 200 combatentes entraram na cidade no domingo para se unir a 1 mil rebeldes que chegaram a cidade nos últimos dias para entrar no Exército Livre Sírio; Ele também disse que os rebeldes receberam "novas armas e munições", sem dar mais detalhes.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), uma rede ativista também registrou explosões e lutas em Aleppo neste domingo. Segundo os ativistas, houve intensas batalhas nos bairros de Bab al-Hadeed, al-Zahraa e al-Arqoub.

Os rebeldes começaram a concentrar seus esforços em tomar a cidade há uma semana. Cerca de 162 foram mortos,a maioria civis, segundo o Observatório. Aproximadamente 19 mil foram mortos desde que a revolta começou, em março de 2011.

Com AP e BBC

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