Rússia teme tragédia em Aleppo, mas diz que governo sírio não tinha alternativa

Presidente da França, François Hollande, afirmou que vai tentar convencer a Rússia e a China, aliados da Síria, de que Assad deve ser contido

iG São Paulo | - Atualizada às

A Rússia afirmou neste sábado que uma "tragédia" ameaça Aleppo, a segunda maior cidade da Síria, mas destacou que não seria "realista" pensar que o governo de Bashar Al-Assad permaneceria de braços cruzados diante da ocupação da cidade pelos rebeldes.

Neste sábado, as forças do regime sírio de Bashar al-Assad iniciaram uma ofensiva contra os rebeldes em Aleppo , onde nos últimos dias chegaram reforços militares para recuperar os bairros sob o domínio da oposição.

Ataque:  Com tanques e bombardeios, Síria lança ofensiva contra rebeldes em Aleppo

AP
Soldados do Exército Livre da Síria sentam-se em tanque durante confrontos com forças do governo em Aleppo (23/07)


O chanceler russo Sergei Lavrov caracterizou o ataque deste sábado como uma "tragédia", mas se perguntou o que mais o governo poderia fazer diante da rebelião. A Rússia, ao lado da China, se manteve como aliada do governo de Assad, que tem sido alvo de uma revolta popular - que avançou para uma guerra civil - há 16 meses.

"Agora a cidade de Aleppo está ocupada pela oposição armada. Outra tragédia é iminente lá", disse Lavrov. "Como podemos esperar que em tal situação o governo simplesmente desista e diga: 'Ok, eu não estava certo, me derrube, mude o regime - é simplesmente irreal."

Os tanques de Assad tentaram entrar nos bairros controlados pelos rebeldes apoiados por bombardeios aéreos, o que desencadeou violentos combates entre os dois lados. Ativistas afirmaram que os choques se desenvolvem principalmente em Salah ad-Din, Al-Sahur, Hanano, Al-Shaar, Al-Fardus e Al-Furqan. Ao fim do dia, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), os combates terrestres deram uma pausa, mas os bombardeios continuaram.

"O ataque contra (o distrito de) Salaheddine parou e seguimos com o exército regular até o bairro de Hamdaniye", mais a oeste, disse à AFP o chefe do conselho militar de Aleppo, o coronel Abdel Jabbar al-Oqaidi, por telefone.

Ao menos 20 pessoas morreram desde o início da ofensiva, segundo o OSDH, que anunciou neste sábado que a cifra de mortos chegou à casa dos 20 mil desde o início dos protestos contra Bashar al-Assad em março de 2011, dos quais 14 mil são civis.

A comunidade internacional reagiu à ação do governo na cidade, localizada ao norte da Síria. O presidente francês, François Hollande, disse neste sábado que vai tentar novamente convencer a Rússia e a China a apoiarem sanções mais duras contra Assad, a fim de romper o impasse diplomático e evitar mais derramamento de sangue.

Retirada: Moradores fogem de Aleppo e rebeldes se preparam para combate

"Vou falar mais uma vez com a Rússia e a China para que eles reconheçam que haverá o caos e uma guerra civil se Bashar al-Assad não for impedido logo", disse Hollande, durante uma visita a uma fazenda na cidade de Monlezun. "O regime de Assad sabe que está condenado e por isso vai usar a força até o fim."

As potências ocidentais não tiveram êxito até agora para pôr fim a um impasse na ONU sobre exercer maior pressão sobre al-Assad."Os países membros do Conselho de Segurança da ONU precisam interferir o mais rápido possível", opinou Hollande.

Em comunicado, a Liga Árabe expressou "produnda insatisfação com os atos de opressão do regime sírio", particularmente no uso de armamento pesado contra seu próprio povo. O grupo pediu que a Síria "parasse com o ciclo de matança e violência e suspendesse o ataque aos bairros".

O governo dos EUA advertiu sobre o perigo de um "massacre" e condenou a "odiosa agressão das forças de Assad contra esse centro de população civil".

AFP
Rebelde do Exército Livre da Síria olha de janela em delegacia do distrito de Shaar, em Aleppo (25/07)

Tensão em Aleppo

Na sexta-feira, Aleppo já estava sitiada pelos tanques do regime de Assad enquanto chegavam mais reforços militares, segundo o "número dois" do ELS, Malek Kurdi. "Tenho certeza de que lançarão uma grande ofensiva", afirmou o alto comando rebelde desde Aleppo.

A ofensiva teve início mais de uma semana depois da abertura da nova frente em 20 de julho, depois que o Exército recuperou o centro de Damasco , onde também foram registrados violentos combates nos bairros hostis a Assad.

Segundo informações obtidas por um correspondente da AFP, os rebeldes não executaram nenhuma operação importante nos últimos dois dias, economizando as escassas munições antitanque. Muitos habitantes deixaram a cidade e os que permaneceram têm grandes dificuldades de obter material de primeira necessidade.

Segundo analistas, a batalha é extremamente importante para as duas partes. De um lado, o regime espera que seus aliados, os ricos comerciantes de Aleppo, financiem parte do esforço bélico. Os rebeldes aspiram criar uma zona de proteção, como os insurgentes líbios fizeram em Benghazi.

Com AFP, AP e Reuters

    Leia tudo sobre: síriaassadprimavera árabealeppomundo áraberússia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG