Moradores fogem de Aleppo enquanto rebeldes sírios se preparam para combate

Militantes se posicionam para choques em mais bairros de polo comercial da Síria em meio a bombardeios das forças de Assad

iG São Paulo | - Atualizada às

Forças do governo mantiveram seu bombardeio contra importantes cidades sírias nesta quinta-feira, com Aleppo particularmente se preparando para um confronto em mais bairros entre rebeldes e reforços militares do governo que ainda têm de chegar à cidade.

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Sírio fotografa bombardeio contra a cidade de Homs (24/07)

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Com os bombardeios dispersos durante a noite, os residentes aproveitaram a luz do dia para furgir. “Tememos a retaliação do governo", disse Ahmad, um morador do bairro de Salaheddiin, no sudeste da cidade, onde muitos insurgentes chegaram vindos da área rural e acabaram entrando em confronto uns com os outros para controlar determinadas ruas, disseram residentes.

As pessoas deixaram os bairros que os rebeldes dizem controlar, inferindo que seriam alvo de bombardeio das forças do governo de acordo com o padrão estabelecido em uma cidade depois da outra no curso do levante de mais de 16 meses. Mas alguns homens ficaram para trás para proteger suas propriedades contra saques.

"As pessoas sabem que haverá caos, confrontos, ataques aéreos, então estão assustadas", disse um ativista por Skype. “Elas estão estocando comida enlatada e não se aventuram em sair de casa." Não há transporte público, e hospital pedem doações de sangue, contou.

Residentes de distritos próximos disseram que refugiados da cidade estão vivendo em escolas e parques. Muitos deles estão fugindo pela segunda vez, tendo vindo a Aleppo de cidades como Homs e Hama, no centro do país, onde o governo começou a atacar há meses.

Apesar de duros confrontos de rua terem acontecido esporadicamente em Aleppo, o governo sírio parece que ainda está preparando suas forças, com um grande comboio de tanques e de veículos militares com soldados e mantimentos tendo sido avistado no região sul de Aleppo, segundo Majed Abdel Nour, porta-voz na cidade da Rede de Notícias Sham, uma organização ativista. Militantes rebeldes também continuaram chegando de áreas próximas, disseram ativistas.

Essa movimentação é vista como um sinal de que o governo fará de tudo para não perder o controle sobre o principal polo comercial da Síria, uma cidade com 2,5 milhões de habitantes.

A maior parte dos combates acontece nas partes mais pobres e orientais de Aleppo, a capital comercial da Síria. Povoadas em sua maioria por muçulmanos sunitas que vêm de áreas rurais, os moradores locais são simpáticos aos rebeldes e lhes oferecem apoio e refeições para quebrar o jejum do Ramadã. Também houve confrontos perto do centro histórico da cidade, que a ONU designou como patrimônio mundial.

Escalada do confronto

Além de Aleppo, forças do governo também bombardearam a capital, Damasco. As ofensivas foram lançadas enquanto o general de brigada Manaf Tlass , um dos mais graduados desertores do atual regime, apresentou-se como alguém capaz de unir a fragmentada oposição dentro e fora da Síria numa eventual transferência de poder.

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Veículo danificado durante confrontos entre rebeldes e tropas do governo é visto na cidade de Azaz, a 32 km a norte de Aleppo, Síria (24/07)

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O conflito na Síria começou há mais de 16 meses, mas entrou numa nova fase na semana passada, quando um atentado rebelde matou quatro integrantes do alto escalão do regime, causando entre seus inimigos a expectativa de que os dias de Assad no poder estariam contados.

Mas, desde então, as forças do governo endureceram significativamente sua resposta à revolta armada. Aviões de combate foram vistos em ação sobre Aleppo, e fontes da oposição disseram que combatentes rebeldes estão sendo sumariamente executados nas ruas de Damasco.

Na manhã desta quinta-feira, moradores de bairros da zona sul da capital relatavam pelo menos um bombardeio por minuto, durante cerca de três horas. Helicópteros atacavam o bairro de Hajar al-Aswad, um dos últimos redutos dos rebeldes na cidade após vários dias de combates nas ruas, segundo ativistas.

Tlass, por sua vez, disse que ajudaria a unir a fragmentada oposição da Síria dentro e fora do país, buscando um acordo com a estratégia para a transferência de poder. Em declarações dadas a um jornal na cidade saudita de Jidá, Tlass afirmou também que busca apoio da Arábia Saudita e de outras potências.

*Com New York Times e Reuters

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