Rebeldes combatem forças sírias em Aleppo; ONU pede fim da 'carnificina'

Assad envia coluna de tanques para maior cidade na síria para tentar pôr fim a combates que já duram cinco dias

iG São Paulo | - Atualizada às

Dezenas de tanques do governo dirigiram-se para a maior cidade da Síria nesta quarta-feira, enquanto o presidente Bashar al-Assad reforçou o contingente militar para pôr fim a combates de cinco dias contra rebeldes que tentam tirar Aleppo do controle do regime.

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Veículo danificado durante confrontos entre rebeldes e tropas do governo é visto na cidade de Azaz, a 32 km a norte de Aleppo, Síria (24/07)

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A movimentação ocorreu no mesmo dia em que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, conclamou o mundo a unificar sua resposta contra a guerra civil na Síria e fazer tudo o que puder para parar o que classificou de matança.

Falando em Sarajevo, Ban disse que outros países intervieram na Líbia e na Costa do Marfim para acabar com os assassinatos locais, mas fracassaram durante a guerra de 1992 a 1995 na Bósnia para evitar que os servo-bósnios matassem mais de 8 mil muçulmanos bósnios em Srebrenica apesar de a cidade estar oficialmente sob proteção da ONU.

Enquanto ele falava, tanques sírios atacaram insurgentes em Aleppo, em uma nova escalada de um conflito que deixou 19 mil mortos desde seu início, em março de 2011. "Aqui no centro de uma Bósnia e Herzegovina em cura, faço um apelo ao mundo: não adiem. Unam-se. Ajam. Ajam agora para parar a matança na Síria."

Enquanto os combates ocorriam em Aleppo, a Turquia anunciou que fechou sua fronteira para o comércio com a Síria, efetivamente pondo fim a uma relação avaliada em US$ 3 bilhões, mas mantendo a divisa aberta para civis que fogem da violência ou buscam mantimentos. Além disso, mais dois diplomatas sírios desertaram, no mais recente sinal das divisões no alto escalão do regime de Assad.

Duros combates de rua acontecem em Aleppo desde o sábado, à medida que os rebeldes lentamente avançaram através de bairros amigáveis nos arredores da cidade em direção ao centro antigo. Embora o regime tenha recorrido a seu poder de fogo superior, incluindo com ataques de helicópteros e jatos, suas forças ainda têm de expulsar os rebeldes sem reforços adicionais.

"Esperamos um grande ataque em Aleppo", disse o ativista local Mohammed Saeed via Skype, explicando que cerca de 80 tanques foram avistados juntamente com caminhões-leito em direção à cidade. "As pessoas temem ser atingidas por bombardeios indiscriminados e estão fugindo."

Um ataque rebelde similar na semana passada em Damasco exigiu vários dias das forças sírias para que o regime retomasse o controle, e apenas com a ajuda de bombardeios de artilharia e helicópteros.

A nova jornada de violência coincide com a visita a Damasco do subsecretário-geral para Operações de Paz da ONU, Hervé Ladsous, e do novo responsável dos observadores das Nações Unidas, Babacar Gaye.

O chefe dos capacetes azuis, Hervé Ladsous, admitiu nesta quarta-feira que os observadores das Nações Unidas têm uma dura missão na Síria, mas expressou sua esperança na capacidade da missão de conseguir bons resultados.

*Com AP e Reuters

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