General desertor Manaf Tlass está em Paris e pede transição na Síria

Em comunicado transmitido à AFP, desertor acusa regime de Assad de ser o principal culpado por violência em país; confrontos em Damasco chegam ao terceiro dia

iG São Paulo | - Atualizada às

O general Manaf Tlass, o oficial de maior patente a desertar do Exército sírio  e considerado ligado ao presidente Bashar al-Assad, anunciou nesta terça-feira, em um comunicado transmitido à AFP, que se encontra em Paris e deseja uma transição construtiva em seu país. Tlass, ligado à família de Assad e amigo de infância do presidente, era membro da Guarda Republicana, unidade de elite do governo, e filho de um ex-ministro da Defesa.

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AFP
Foto sem data mostra general sírio Manaf Tlass fumando charuto em local não identificado. Tlass desertou do regime de Bashar al-Assad em 6 de julho

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No texto assinado "general Manaf Tlass, Paris, 17 de julho de 2012", o oficial afirma desejar "que o país saia da crise mediante uma fase de transição construtiva que garanta à Síria sua unidade, sua estabilidade e sua segurança, assim como as aspirações legítimas de seu povo".

Além disso, expressa sua "ira e dor por ver o Exército levado a travar um combate contrário a seus princípios".

Essa primeira declaração direta à imprensa ocorre depois do anúncio, em 6 julho, de sua deserção. O general acusou o regime de Assad de ter a maior parte da responsabilidade na atual crise síria.

De acordo com uma fonte síria, Tlass havia sido afastado de suas funções há mais de um ano por ser considerado pouco confiável. Há meses estava em Damasco, onde deixou crescer o cabelo e a barba.

O oficial, filho do general Mustafah Tlass, ex-ministro da Defesa e amigo de Hafez al-Assad, pai do atual chefe de Estado, integrou a classe privilegiada do regime. Natural de Rastan, na Província de Homs (centro), atualmente nas mãos dos rebeldes, o sunita de 40 anos estudou no colégio militar com Assad.

Tlass tentou coordenar missões de conciliação entre o poder e os rebeldes em Rastan e em Deraa (sul), mas não teve sucesso. De acordo com outra fonte na capital síria, a ruptura do general com o regime aconteceu após um ataque em março contra Baba Amr , bairro de Homs controlado pelos rebeldes. Ele se recusou a liderar a unidade que recebeu a missão de reconquistar o setor, e Assad o teria afastado de seu cargo.

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Confrontos em Damasco

A declaração de Tlass foi distribuída enquanto a capital Damasco foi palco, pelo terceiro dia consecutivo, de seus piores confrontos desde que o levante antigoverno começou na Síria, em março de 2011. Para combater os rebeldes, o Exército usou pela primeira vez na cidade helicópteros , refletindo a intensidade e a seriedade dos combates.

AFP
Oponentes do regime de Bashar al-Assad bloquearam ruas com pneus em chamas no bairro de Jobar, Damasco (16/07)

Em Moscou, o emissário internacional Kofi Annan, que tenta ressuscitar seu plano de paz, afirmou que a violência na Síria chegou a um "ponto crítico" após a Cruz Vermelha Internacional ter classificado o conflito armado de " guerra civil ".

"A batalha pela libertação de Damasco começou, e os combates não pararão na capital. Vamos para a vitória", afirmou o coronel Kassem Saadeddine, porta-voz do Exército Sírio Livre (ESL), na Síria, contatado via Skype pela AFP. Os combates coincidem com o 12º aniversário da chegada ao poder de Assad após a morte de seu pai.

Já um militar afirmou à AFP que o Exército "controla a situação e persegue os terroristas fugitivos em casas e mesquitas" de Damasco. Desde domingo, os combates na capital acontecem em vários bairros. Os helicópteros que entraram em ação metralharam bairros hostis ao regime.

Annan se reuniu nesta terça-feira com o presidente russo, Vladimir Putin, que assegurou que a Rússia fará tudo para apoiar os esforços para pôr fim à crise.

A Rússia, principal aliada do regime de Assad, bloqueou juntamente com a China duas resoluções na ONU que condenavam a repressão. Em Nova York, as negociações sobre um novo mandato dos observadores na Síria enfrentam um impasse. Os ocidentais insistem na aprovação de uma resolução que ameace o regime com sanções, enquanto a Rússia rejeita essa possibilidade.

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"Não vejo por que não podemos chegar a um acordo no Conselho de Segurança. Estamos prontos para isso", declarou, contudo, o chanceler russo, Serguei Lavrov.

AP
Imagem de vídeo amador mostra supostos opositores lutando contra forças sírias em Damasco (15/7)

Em Paris, o presidente francês François Hollande pediu à Rússia para ajudar a acabar com os massacres diários "insuportáveis e intoleráveis". "Os russos precisam compreender que eles não podem ser considerados os únicos a dificultar a busca por uma solução."

Por sua vez, o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que a Rússia aumente a pressão sobre seu aliado sírio durante uma conversa por telefone com o chanceler russo. Ban é esperado em Pequim para conversas com líderes chineses na quarta-feira.

Com a deterioração da situação, o governo iraquiano pediu que os seus cidadãos deixem a Síria, destacando a "crescente violência de que são alvo".

*Com AFP, AP e EFE

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