Confrontos se espalham por Damasco, e Rússia mantém posição sobre Síria

Forças sírias entraram no distrito de Midan, no centro da capital, e retomaram bombardeios sobre o bairro de Al-Tadome

iG São Paulo | - Atualizada às

Novos confrontos se espalharam pela capital síria, Damasco, nesta segunda-feira, com tropas sírias entrando no distrito de Midan, no centro. O Exército sírio retomou os bombardeios sobre o bairro Al-Tadome de Damasco, um dia depois dos mais violentos combates na capital desde o início da revolta.

Aliada: Rússia acusa Ocidente de 'chantagem' por nova resolução sobre Síria

O registro de cada vez mais confrontos na capital ocorre no momento em que o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, recebe novo apoio da aliada Rússia , que manteve sua posição sobre o confronto ao acusar o Ocidente de ‘chantagem’ por nova resolução contra o país árabe.

AP
Imagem de vídeo amador mostra supostos opositores lutando contra forças sírias em Damasco (15/7)

Segundo os Comitês Locais de Coordenação (LCC, de oposição), houve violentos combates entre o Exército regular e o Exército Sírio Livre (ESL), formado essencialmente por desertores, "nos bairros de Kafar Sousse e Khobar". O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) também informou sobre "combates ao amanhecer no bairro de Kafar Sousse entre combatentes rebeldes e soldados de um comboio que passava pela região".

No distrito central de Midan, tropas sírias entraram para expulsar rebeldes que se instalaram perto de importantes instalações governamentais, disseram ativistas.

A ofensiva ocorre dias depois de o governo negar o uso de armas pesadas no ataque ao vilarejo de Tremseh, onde observadores da ONU encontraram evidências de uso de armamento pesado em ação que teve como alvo opositores sírios e deixou mais de 200 mortos.

Ativistas disseram que as tropas sírias entraram em Midan com o objetivo de expulsar rebeldes opositores. Veículos blindados foram apoiados por forças de segurança que cercavam a área. Moradores afirmaram ter visto atiradores nos telhados. "Há soldados por todo lado, consigo escutar as ambulâncias", disse um morador perto de Midan. "Parece uma guerra em Damasco."

Um vídeo postado por ativistas da oposição e divulgado pela rede Al-Jazeera mostrou homens em jeans escondendo-se atrás de sacos de areia nas vias de Damasco, disparando granadas e metralhadoras. Os confrontos eram intermitentes em Midan e em Tadamon.

Um combatente disse à Reuters que os rebeldes não podiam recuar após algumas horas de confronto, como fizeram em incursões anteriores na capital, porque estavam cercados por forças de segurança e postos de vigilância. "Eles querem sair. Se conseguissem sair, eles já teriam saído", afirmou ele. "A área inteira está cercada."

A televisão estatal informou nesta segunda-feira que caçavam 'grupos terroristas' que haviam fugido para alguns bairros de Damasco.

O diplomata sírio Nawaf Fares , que atuava como embaixador sírio no Iraque e desertou na semana passada, disse nesta segunda-feira em entrevista à BBC que Assad usará armas químicas caso sinta que está em desvantagem. Ele disse também que os bombardeios pela Síria vêm sendo orquestrados pelo regime de Assad em colaboração com a Al-Qaeda.

Moscou

Ao lado do governo sírio diante da comunidade internacional, a Rússia acusou as potências ocidentais de fazer "chantagem" para obrigar Moscou a aceitar as sanções do Conselho de Segurança da ONU contra o regime de Damasco.

"Lamentamos muito, mas vemos elementos de chantagem", declarou o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, afirmando que as potências ocidentais pressionaram a Rússia a aceitar as sanções, dizendo que, caso contrário, "se recusariam a prolongar o mandato da missão de observadores" na Síria. "Consideramos que é uma atitude absolutamente contraproducente e perigosa", acrescentou.

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As negociações da semana passada no Conselho de Segurança da ONU sobre um projeto de resolução sobre a Síria se converteram em uma disputa entre os ocidentais e a Rússia. Na coletiva, o chanceler russo pediu que o órgão máximo da ONU apoie uma resolução proposta por Moscou, que não ameaça impor sanções a Damasco. Os países ocidentais, porém, querem um documento que preveja a imposição de sanções contra o regime.

"Não poderemos permitir a aprovação de uma resolução do Conselho de Segurança que não seja baseada nos acordos de Genebra ", disse ele se referindo a um plano acordado em negociações internacionais sobre a Síria em 30 de junho.

A Rússia vem defendendo Assad na ONU ao bloquear a imposição de sanções e ao descartar o uso de força externa para pôr fim ao conflito. Moscou também continuou a fornecer armas ao governo sírio, desde o início da revolta contra Assad.

*Com BBC e Reuters

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