Embarcação russa com helicópteros parte novamente rumo à Síria

Tentativa de envio de aeronaves e armamentos causou polêmica no mês passado; Moscou afirma que acordo para a venda foi assinado em 2008, antes do levante popular contra Assad

iG São Paulo |

Uma embarcação russa que tentou entregar helicópteros de ataque à Síria no mês passado retomou o caminho rumo ao páis árabe, saindo de um porto do Ártico com a mesma carga, anunciou nesta sexta-feira a agência russa de exportação de armamento.

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"Os helicópteros Mi-25 que deveriam voltar à Síria depois de serem reparados estão atualmente a bordo do Alaed, que navega do porto de Murmansk em direção a outro porto da Rússia", disse a agência Interfax citando um comunicado da agência Rosoboronexport.

Uma fonte do porto de Murmansk informou à Interfax que o cargueiro partiu na terça-feira a caminho do porto de Baltiysk, situado no enclave russo de Kaliningrado, entre Lituânia e Polônia.

AP
Imagem retirada de vídeo amador mostra supostas vítimas do massacre em Tremseh

O site marinetraffic.com, que registra o tráfego marítimo a partir de radares oficiais, mostrava o barco navegando em frente à costa norueguesa na última quinta-feira.

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Após uma primeira tentativa, há um mês, a chancelaria russa confirmou que o Alaed, um cargueiro privado, planejava entregar três helicópteros de ataque consertados e um sistema de defesa aérea à Síria.

A entrega foi frustrada quando a seguradora britânica teve conhecimento do conteúdo da carga e retirou sua cobertura. A Rússia se defendeu dizendo que deveria entregar esses helicópteros à Síria, em virtude de um contrato comercial assinado em 2008, muito antes do início do conflito atual.

Em comunicado, a empresa proprietária do cargueiro, Femco, afirmou que os helicópteros e armas de defesa aérea estavam a caminho e analisou o envio dentro de um contexto de legalidade de enviar armamento em uma embarcação comercial.

Massacre

Ao mesmo tempo em que defende o envio de armamento ao regime sírio, justificando um acordo assinado antes mesmo do levante popular contra o regime de Bashar al-Assad, a Rússia condenou com veemência nesta sexta-feira o massacre no vilarejo de Tremseh e exigiu uma investigação sobre esse "crime sangrento", que atribuiu a "forças que buscam semear o ódio interreligioso no país”.

"Nós condenamos com firmeza este crime sangrento", declarou o porta-voz da chancelaria russa, Alexandre Loukachevitch, em um comunicado. "A Rússia insiste na necessidade de uma investigação deste massacre e exprimi sua solidariedade sincera para com o povo sírio", acrescenta a nota.

A Rússia costuma a acusar os rebeldes de tentar sabotar as negociações com o regime sírio incitando assim maiores violências a fim de conseguir a intervenção de potências estrangeiras na Síria, ao que Moscou é totalmente contra.

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Além de Moscou, o mediador internacional da ONU e da Liga Árabe para a Síria, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, disse que as forças sírias usaram armas pesadas contra o vilarejo de Tremseh, local de um massacre em área controlada por rebeldes da Província de Hama, no centro do país, em violação aos compromissados do plano de paz da ONU.

De acordo com ativistas, entre 150 e mais de 200 teriam sido mortos na violência de quinta-feira, o que representaria o dia mais sangrento desde o início do levante contra o regime de Bashar al-Assad, em março de 2011. Em diferentes comunicados, o Observatório Sírio de Direitos Humanos e a Comissão Geral da Revolução Síria disseram que mais de 150 morreram, enquanto a rede de ativistas Comitês de Coordenação Local apontou 220 vítimas. É quase impossível verificar de forma independente as informações, porque o governo sírio restringe o trabalho dos jornalistas.

AP
Reprodução de vídeo mostra homem chorando sobre corpo de vítima de massacre na vila de Tremseh, na Província de Hama (12/07)

Observadores da ONU na Síria estão prontos para ir a Tremseh para verificar os fatos in loco "se e quando as circunstâncias permitirem", mas precisam da garantia de liberdade de movimentação para fazer o seu trabalho, disse.

A oposição síria acusa o regime de Assad de ter cometido o massacre em Tremseh, mas o governo afirma que foram forças terroristas que o cometeram.

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O ativista opositor Abu Ghazi disse que o Exército cercou a vila na madrugada de quinta-feira com tanques e baterias antiaéreas antes de bombardeá-la, e disparou contra quem tentasse sair do local.

Após o bombardeio, as forças de ordem irromperam em Tremseh e enfrentaram rebeldes do Exército Livre Sírio (ELS), que conseguiram abrir algumas vias para permitir a população escapar do assédio e dos bombardeios, disse o ativista.

Com o apoio das forças de segurança, os "shabiha" - milicianos do regime - assassinaram civis com armas brancas, inclusive muitos médicos e pessoas que haviam ficado feridas nos bombardeios, afirmou Ghazi.

*Com AFP

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