Oposição da Síria denuncia massacre na vila de Tremseh, em Hama

Segundo ativistas, mais de cem teriam sido mortos em bombardeios e outros ataques das forças de segurança de Assad

iG São Paulo | - Atualizada às

Ativistas da Síria denunciaram nesta quinta-feira um novo massacre na vila de Tremseh, Província de Hama, afirmando que forças do regime deixaram mais de cem mortos ao realizar bombardeios e outros ataques na região.

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AP
Fumaça preta sobe de prédios perto de mesquita em Homs, Síria (11/07)

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Há poucos detalhes sobre o ataque, que foi relatado pelo grupo ativista Comitês de Coordenação Local e o Observatório Sírio de Direitos Humanos, cuja base fica no Reino Unido. O Observatório disse que as informações sobre até cem mortes foram passaram por fontes em campo, mas o grupo confirmou até agora somente o nome de 30 das vítimas.

É quase impossível verificar de forma independente o número de mortos na Síria, onde o governo restringe o trabalho dos jornalistas e onde mais de um ano de violência emergiu boa parte do país em tumulto.

Ativistas dizem que mais de 17 mil pessoas morreram desde o início do levante contra o presidente Bashar al-Assad, em março de 2011, e ele está sob uma pressão internacional cada vez maior para parar a violência. Mas enquanto o banho de sangue continua, e o conflito se dirige para uma insurgência armada, as esperanças para uma transição pacífica diminuem.

A última informação de violência surgiu após seu embaixador no Iraque ter abandonado o regime , representando a deserção de mais alta graduação em quase 16 meses de conflito. As deserções têm estimulado esperanças no Ocidente de que o círculo mais próximo de Assad começará a abandoná-lo em massa, estimulando sua queda.

O embaixador Nawaf Fares anunciou que aderia à revolução , afirmando nesta quinta-feira que apenas a força forçará Assad a deixar o poder.

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"Não há nenhuma possibilidade de um acordo de paz com Assad, porque qualquer pacto, qualquer declaração que é acordada internacionalmente, ele protela e ignora", disse Fares à rede de TV Al-Jazeera. "Não há nenhuma forma de ele deixar o poder sem que a força seja usada, e a população síria percebe isso."

O Ministério de Relações Exteriores da Síria denunciou Fares, dizendo que ele deveria "prestar contas legais e disciplinares".

A decisão de Fares de abandonar o governo segue-se à saída do país na semana passada do general de brigada sunita Manaf Tlas , amigo de infância de Assad, cuja seita alauíta, minoritária, depende de aliados sunitas para manter o controle sobre a população síria, de maioria sunita.

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O chanceler francês, Laurent Fabius, disse que Tlass vem mantendo contato com a oposição síria. Ele, porém, rejeitou fazer comentários sobre as informações de que o general está em Paris.

O regime de Assad sofreu uma perda de desertores de baixa patente que se uniram a um grupo de dissidentes conhecido como Exército Livre da Síria, que agora somaria dezenas de milhares de membros. Houve deserções graduadas no passado - incluindo um piloto de caça que voou com seu avião para a vizinha Jordânia durante uma missão de treinamento em junho.

AFP
Fares anunciou renúncia em transmissão pela Al-Jazeera (11/7)

Negociações diplomáticas

As negociações sobre uma resolução para estender uma missão de monitoramento da Organização das Nações Unidas na Síria começaram nesta quinta-feira com o Conselho de Segurança profundamente dividido e a Rússia dizendo que não concorda com a ameaça de sanções para tentar colocar fim ao conflito.

O conselho de 15 membros precisa decidir sobre o futuro da missão da ONU, conhecida como UNSMIS, antes de 20 de julho, quando expira o seu mandato de 90 dias. A UNSMIS foi enviada para monitorar um cessar-fogo fracassado, dentro de um plano de paz com seis pontos do enviado internacional Kofi Annan.

A Rússia propôs estender a missão por 90 dias, mas o Reino Unido, os EUA, a França e a Alemanha apresentaram uma proposta de resolução para ampliar a missão por apenas 45 dias e colocar o plano de paz de Annan dentro do Capítulo 7 da Carta da ONU .

O Capítulo 7 permite que o conselho autorize ações que vão de sanções diplomáticas e econômicas à intervenção militar. As autoridades americanas afirmaram que estão conversando sobre sanções contra a Síria, não intervenção militar. O Conselho de Segurança deve votar em 18 de julho.

"Definitivamente somos contra o Capítulo 7. Tudo pode ser negociado, mas isso não negociamos, essa é uma linha vermelha", disse o embaixador adjunto da Rússia na ONU, Alexander Pankin.

A posição inicial da Rússia, aliado-chave da Síria, não foi surpresa para os diplomatas ocidentais. A Rússia e a China já vetaram resoluções da ONU que tinham como objetivo pressionar Assad.

A proposta de resolução apoiada pelo Ocidente ameaça em particular o governo sírio com sanções, caso não pare de utilizar armas pesadas e não retire suas tropas das cidades dentro de 10 dias da adoção da resolução.

*Com AP e Reuters

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