Rússia envia navios de guerra à Síria

Há previsão de que algumas das embarcações parem no porto sírio de Tartus, única base naval russa no Oriente Médio; EUA rejeitam ideia de Annan de engajar Irã no conflito

iG São Paulo |

A Rússia anunciou nesta terça-feira que uma flotilha naval zarpou do porto de Severomorsk, perto de Murmansk (noroeste), em direção ao Mar Mediterrâneo, havendo a previsão de que algumas das embarcações parem no porto sírio de Tartus (única base naval russa no Oriente Médio). O grupo naval inclui embarcações com marines (fuzileiros navais).

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AFP
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A viagem e as manobras navais parecem ter o objetivo de enviar a mensagem de que os líderes russos protegerão seus interesses na Síria, a relação mais importante que Moscou tem no Oriente Médio, mesmo enquanto restringem o novo embarque de armas ao governo do presidente Bashar al-Assad até que o conflito se amenize, anunciaram autoridades militares de exportação na segunda-feira.

De acordo com a agência russa Interfax, a frota de navios de guerra é liderada pelo Almirante Chabanenko, especializado no combate contra submarinos. Três barcos de transporte de tropa acompanham o Almirante Chabanenko e outros dois navios se unirão à frota, segundo a agência russa, que citou fontes militares e diplomáticas.

"O programa da viagem inclui uma escala no porto sírio de Tartus", afirmou uma fonte, não identificada, à agência. A fonte informou que a viagem acontece em acordo com os planos de disponibilidade militar da frota russa. Segundo a Interfax, a fonte insistiu que a mobilização não tem relação com a escalada da crise na Síria.

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A decisão de enviar os navios para a região do Oriente Médio havia sido anunciada pela imprensa russa em 18 de junho . Na época, afirmou-se que o objetivo da flotilha era proteger cidadãos russos e a base naval de Tartus.

Diplomacia

O envio das embarcações ocorreu enquanto o mediador da ONU e da Liga Árabe para o conflito sírio, o ex-secretário-geral da organização Kofi Annan, manteve uma ofensiva diplomática um dia depois de se reunir com Assad em Damasco . Nesta terça, Annan se encontrou com autoridades no Irã e Iraque em uma tentativa de salvar seu plano de paz, que foi anunciado há mais de três meses, mas basicamente tem sido ignorado apesar de todos os lados do conflito dizerem apoiá-lo.

Segundo o mediador, o Irã poderia desempenhar um papel "positivo" na crise síria, afirmando que espera que Teerã se junte aos esforços por uma solução. "Existe o risco de que a crise síria saia do controle e se estenda para a região ", disse durante uma breve coletiva. Nesse contexto, "o Irã pode desempenhar um papel positivo", afirmou Annan, que indicou que continuará "trabalhando" com os líderes iranianos.

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Os governos ocidentais e a oposição síria, porém, rejeitam uma participação iraniana nos esforços de solução do conflito por acusar Teerã de apoiar militarmente o regime de Damasco, do qual é o principal aliado.

A Casa Branca reagiu à proposta de Annan afirmando rejeitar a ideia de que o Irã possa desempenhar um papel "positivo". "Não acredito que ninguém possa dizer seriamente que o Irã tenha tido um efeito positivo nos acontecimentos na Síria", disse o porta-voz Jay Carney, no avião presidencial Air Force One, que leva o presidente Barack Obama a Iowa (centro).

Carney disse que está de acordo com o plano Annan para pôr fim à violência na Síria e criar um governo de transição , mas explicou que Washington continua "cético em relação à vontade de Assad de cumprir os compromissos assumidos".

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