Assad acusa os EUA de apoiar rebeldes para desestabilizar a Síria

Presidente afirma em entrevista a uma TV alemã que a Arábia Saudita e o Catar armam 'terroristas' contra o governo sírio; enviado da ONU e da Liga Árabe chega a Damasco

iG São Paulo |

O presidente da Síria Bashar Al-Assad acusou neste domingo os Estados Unidos de apoiarem os rebeldes em seu país para desestabilizar o governo. "Eles (EUA) são parte do conflito. Oferecem uma proteção e um apoio político a essas gangues para desestabilizar a Síria", afirmou Assad em entrevista a uma TV alemã.

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AP
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Segundo trechos transcritos desta entrevista, realizada em 5 de julho e que será transmitida na noite deste domingo, o presidente sírio afirmou que a Arábia Saudita e o Catar dão armas aos "terroristas" na Síria. Assad também acusou a Turquia de dar ao grupo opositos apoio logístico.

De acordo com a rede britânica BBC, o presidente sírio também declarou que as autoridades no seu país prenderam "dezenas" de integrantes da Al-Qaeda vindos da Tunísia e da Líbia.

Teste de mísseis

A Marinha da Síria lançou oito mísseis de navios e helicópteros durante o fim de semana , segundo informou a mídia estatal local, em um exercício com o intuito de mostrar a capacidade de "defender a costa da Síria contra qualquer agressão possível."

"As Forças Navais realizaram um exercício operacional no sábado, usando mísseis lançados do mar e da costa, helicópteros e navios lançadores de mísseis, simulando uma situação de reação a um ataque repentino pelo mar," disse a agência de notícias síria Sana, acrescentando que as manobras continuarão por diversos dias.

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Figuras da oposição têm pedido que seja instaurada uma zona de exclusão aérea e que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) faça ataques contra forças sírias, iguais aos realizados contra a Líbia no ano passado, que permitiram que as forças terrestres dos rebeldes acabassem com o domínio de Muamar Kadafi .

No entanto, enquanto o presidente Bashar al-Assad tem enfrentado sanções e a condenação internacional por causa da sua repressão contra a dissidência, que já fez milhares de mortos, as principais potências ocidentais e árabes têm se esquivado da ideia de uma ação militar direta.

Enviado da ONU

O enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, chegou a Damasco para iniciar sua terceira visita ao país desde sua nomeação. A chegada de Annan ocorre dois dias após uma conferência dos países Amigos da Síria em Paris, onde os 107 participantes expressaram seu apoio à missão e pediram que o Conselho de Segurança da ONU eleve a pressão sobre o regime de Damasco.

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Mais cedo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores sírio, Jihad al-Maqdisi, tinha anunciado que o mediador estaria em Damasco na segunda-feira, mas não especificou o momento de sua chegada.

Como nas ocasiões anteriores, está previsto que Annan se reúna com Assad e com as principais autoridades do país. As visitas anteriores do enviado à Síria ocorreram em março e maio deste ano.

Após o fracasso do plano do mediador, que estipulava um cessar-fogo , em vigor desde 12 de abril e violado pelas partes, há agora sobre a mesa uma nova iniciativa lançada pelo Grupo de Ação para a Síria - integrado por EUA, China, Rússia, França, Reino Unido, Turquia, Liga Árabe, ONU e União Europeia.

Essa nova proposta, respaldada pelo próprio Annan, sugere a formação de um governo de transição que inclua representantes do regime sírio e da oposição. As autoridades sírias ainda não deram uma resposta oficial a essa iniciativa, mas a imprensa oficial criticou-a por considerar que não leva em conta a opinião dos cidadãos e que ignora a existência de grupos armados.

Com BBC, AFP e EFE

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