Emoção e protestos marcam primeira eleição livre pós-Kadafi na Líbia

Segundo comitê eleitoral, ao menos uma pessoa morreu e dois ficaram feridos em troca de tiros entre forças de segurança e manifestantes; participação nas urnas foi de 60%

iG São Paulo | - Atualizada às

Multidões de líbios, alguns com lágrimas de emoção, acabaram com o legado da ditadura de Muamar Kadafi neste sábado, ao votarem na primeira eleição nacional livre , depois de 42 anos de regime do ditador morto em outubro após levante popular contra seu governo.

Pós-Kadafi: Às vésperas de primeiras eleições livres, 'Líbia pode mergulhar no caos'

Mas na cidade de Benghazi, no leste da Líbia, berço da revolta no ano passado e onde agora muitos querem mais autonomia por parte do governo interino em Trípoli, manifestantes atacaram vários postos de votação e queimaram centenas de cédulas.

AP
Imagem em poça reflete líbias carregando bandeiras do país em dia de votação em Trípoli

Autoridades também relataram o caso de um atirador impedindo eleitores de entrarem em locais de votação na cidade de Ras Lanuf, mas disseram que 94% dos postos do país estavam funcionando normalmente.

O chefe da comissão eleitoral na Líbia, Nouri al-Abari, disse que um líbio morreu e dois ficaram feridos em troca de tiros entre forças de segurança e manifestantes contrários às eleições na cidade de Ajdabiya.

Abari disse ainda que, em todo o país, 101 colégios eleitorais dos 1.554 não abriram suas portas por razões técnicas ou de segurança. 

Cerca de 2,9 milhões de líbios - 80 % aptos a votar - se registraram nesta eleição. De acordo com autoridades eleitorais do país, a participação foi de 60% e a contagem de votos já começou.

Os líbios estão escolhendo uma assembleia de 200 integrantes que vai eleger um primeiro-ministro e seu gabinete antes de criar as bases para eleições parlamentares mais completas no próximo ano, sob uma nova Constituição.

Candidatos com agendas islâmicas dominam a votação em que concorrem mais de 3,7 mil candidatos, sugerindo que a Líbia será o próximo país da Primavera Árabe - depois de Egito e Tunísia - a ter partidos religiosos no poder.

Dia histórico

"“Eu sou um cidadão líbio em uma Líbia livre", disse Mahmud Mohammed Al-Bizamti. "“Eu vim hoje (sábado) para poder votar de maneira democrática. Hoje é como um casamento para nós", completou.

Alguns eleitores tiveram problemas com os procedimentos para votar. Em um distrito central de Trípoli, duas mulheres desapareceram juntas dentro de um posto de votação antes de um fiscal explicar rapidamente que elas deveriam votar sozinhas.

Resultados parciais mais consistentes não devem estar disponíveis antes de domingo.

Na véspera da eleição, o primeiro-ministro interino, Abdurrahim El-Keib, pediu aos líbios que aparecessem em massa como resposta àqueles que dizem que a nova assembleia não refletirá o desejo do povo.

Muitos moradores do leste, cuja região abriga a maior parte do setor de petróleo líbio, estavam descontentes porque terão apenas 60 assentos na assembleia, frente a 102 do oeste.

Pressão

Na sexta-feira, grupos armados bloquearam metade das exportações de petróleo do país para demandar maior representação na assembleia. Pelo menos três grandes terminais de exportação de petróleo foram afetados.

Leia também: Funcionário de comissão eleitoral morre em ataque a helicóptero na Líbia

Agentes portuários afirmaram que as interrupções durariam pelo menos 48 horas, mas o governo mandou uma equipe neste sábado para negociar uma reabertura total de um setor que gera a maior parte da receita do país.

A área de Kufra, no sul, também gera preocupação. Conflitos tribais eram tão intensos que observadores eleitorais não tiveram acesso à região, e havia relatos de atrasos na votação em algumas áreas.

*Com Reuters e AP

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