Hillary cobra pressão mundial em Rússia e China sobre Síria

Em encontro em Paris, EUA e aliados pedem sanções novas e globais contra regime, tentando aumentar pressão depois de deserção de general amigo de Assad

iG São Paulo |

Os EUA e seus aliados pediram sanções novas e globais contra o regime sírio de Bashar al-Assad, tentando aumentar a pressão depois que a deserção de um general representou um golpe contra o líder sírio.

Golpe ao regime: Amigo de Assad, general deserta e foge da Síria

AFP
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, participa de encontro sobre conflito sírio em Paris, França

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, cobrou uma maior pressão das potências mundiais sobre Rússia e China para mostrar que eles terão um preço a pagar por impedir um maior progresso rumo à transição democrática na Síria.

O general sírio Manaf Tlass, ligado à família de Bashar al-Assad e amigo de infância do presidente, abandonou o regime, de acordo com diplomatas ocidentais.

Membro da Guarda Republicana, unidade de elite do governo, e filho de um ex-ministro da Defesa, ele é a autoridade mais graduada a desertar o governo de Assad nos quase 16 meses de repressão governamental e de guerra civil desde o início de um levante contrário ao regime de 42 anos de sua família. De acordo com ativistas, o conflito deixou mais de 14 mil mortos.

De acordo com o chanceler da França, Laurent Fabius, Tlass estaria a caminho de Paris, onde tem uma irmã e onde diplomatas de quase cem países ocidentais e árabes se reuniram nesta sexta-feira para a conferência Países Amigos do Povo Sírio, para fortalecer a oposição síria e pressionar Assad.

No encontro de Paris, Hillary uniu-se aos demais diplomatas para tentar conseguir apoio para o plano de transição para a Síria apresentado na semana passada pelo mediador da ONU Kofi Annan. "É necessário recorrer ao Conselho de Segurança e exigir a aplicação do plano de Genebra assinado por Rússia e China", declarou Clinton a respeito do acordo.

Transição: Acordo de conferência sobre Síria deixa em aberto permanência de Assad

"Precisamos pedir uma resolução que defina as consequências no caso do plano não ser respeitado, inclusive sob o amparo do capítulo 7", completou. Uma resolução sob o capítulo 7 da Carta das Nações Unidas prevê sanções ou eventualmente recorrer à força contra os que não respeitam o texto. 

No fim de semana passado em Genebra, em uma reunião do grupo de ação para a Síria, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) concordaram com o princípio de uma transição com um novo governo que inclua representantes do regime e da oposição, mas sem mencionar explicitamente a saída de Assad.

Desde então, as interpretações sobre o acordo divergiram radicalmente. Para as potências ocidentais, o plano implica uma transição sem Assad, mas Moscou e Pequim, aliados de
Damasco, afirmam que corresponde aos sírios determinar seu futuro.

China e Rússia não aceitam uma resolução sob o amparo do capítulo 7 e já vetaram resoluções no Conselho de Segurança da ONU que aumentariam a pressão sobre Assad.

Hillary acusou os dois países, que boicotam a reunião de Paris, de "bloquear" os progressos na Síria. "Não basta vir a uma reunião dos Amigos da Síria, a única forma de obter resultados é que cada país representado aqui faça Rússia e China compreender que há um preço a pagar", disse.

Por meio de seu vice-ministro Relações Exteriores, Serguei Riabkov, a Rússia reagindo às declarações de Hillary afirmando rejeitar "categoricamente" a ideia de que a Rússia respalde o regime Assad.

Para Riabkov, "a Federação Russa não está apoiando determinados políticos ou figuras políticas na Síria, e sim realizando um trabalho que esperamos que ajude a criar um importante diálogo entre as autoridades e a oposição".

*Com AP, Reuters e AFP

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