ONU vê tráfico de armas para os dois lados do conflito sírio

Segundo alta comissária, Rússia e Irã estão dentre os principais fornecedores do regime de Bashar al-Assad; diplomatas afirmam que Catar e Arábia Saudita armam a oposição

iG São Paulo | - Atualizada às

O governo sírio e os rebeldes do país estão recebendo cada vez mais armas , o que alimenta um conflito que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), já matou mais de 10 mil pessoas em 16 meses, disse nesta segunda-feira a alta comissária para Direitos Humanos da entidade, Navi Pillay.

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"A atual provisão de armas para o governo sírio e seus oponentes alimenta uma violência adicional", disse Pillay em discurso lido por ela ao Conselho de Segurança da ONU. "Qualquer nova militarização do conflito deve ser evitada a todo custo."

AP
Navy Pillay, alta comissária para Direitos Humanos da ONU, fala sobre o conflito sírio

Ela afirmou que considera a atual situação na Síria como um "conflito armado interno não-internacional", termo jurídico que designa uma guerra civil. Quando esse termo é empregado, dizem diplomatas, as regras da Convenção de Genebra passam a se aplicar ao conflito.

Pillay não disse qual é a origem das armas, mas se sabe que Rússia e Irã estão entre os principais fornecedores de material bélico para o regime de Bashar al-Assad. Diplomatas da ONU dizem que Catar e Arábia Saudita estão cada vez mais armando a oposição síria.

A alta comissária reiterou seu apelo para que o Conselho de Segurança, formado por 15 países, encaminhe a questão síria ao Tribunal Penal Internacional, porque crimes contra a humanidade e outros crimes de guerra estariam sendo cometidos. Segundo ela, ambos os lados parecem ter cometido crimes de guerra.

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Ela citou também as conclusões de uma comissão de inquérito do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre o massacre de Houla, em maio, que deixou mais de 100 mortos, inclusive dezenas de crianças.

A comissão afirmou na sexta-feira que as mortes foram cometidas por partidários de Assad. Segundo Pillay, as evidências apontam para "uma maior responsabilidade do governo", mas não é possível excluir que algumas mortes tenham sido cometidas por membros da oposição.

Desertores

Nesta segunda-feira, mais militares sírios deixaram as forças de Assad em direção à Turquia. Um coronel sírio e sete oficiais estavam entre as dezenas de militares, a maioria servindo na província de Homs, que desertaram e fugiram para a Turquia.

A TV estatal turca TRT Haber afirmou em sua página na internet que 85 soldados sírios, incluindo o general, estavam entre os enviados para o campo Apaydin, na província turca de Hatay.

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De acordo com a agência turca Andolou, o grupo de militares que desertou para a Turquia hoje é um dos maiores do Exército turco desde o início do levante popular contra o regime de Assad.

O chefe da Liga Árabe Nabil Elaraby pediu que figuras da oposição sírias se unam, em um novo esforço para obrigar Assad a deixar o poder.

AP
Imagem retirada de video mostra ataque próximo a mesquita em Talbiseh, na província síria de Homs

*Com Reuters e AP

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