Islamita Morsi toma posse como primeiro presidente do Egito pós-Mubarak

Primeiro líder civil do Egito e primeiro islamita a ser chefe de Estado do mundo árabe, Morsi promete um 'novo Egito' e apoio ao poderoso Exército do país

iG São Paulo | - Atualizada às

O islamita Mohammed Morsi prometeu um "novo Egito" e um firme apoio ao poderoso Exército do país ao tomar posse neste sábado às 13h locais (8h de Brasília) como o primeiro presidente civil eleito do Egito , sucedendo a Hosni Mubarak , que foi forçado a renunciar há 16 meses após um levante popular.

Desafio:  Presidente eleito do Egito promete lutar por autoridade e garante Estado civil

AP
Presidente do Egito, Mohammed Morsi, acena para plateia que acompanhou seu primeiro discurso público após posse do cargo em Universidade do Cairo

Irmandade: Islamita é o primeiro presidente eleito após queda de Mubarak no Egito

Em uma solene cerimônia de posse perante a Suprema Corte Constitucional, Morsi também se tornou o primeiro presidente eleito livremente no mundo árabe e o quinto chefe de Estado do Egito desde a queda da monarquia, há cerca de 60 anos.

Vestido com terno azul escuro e gravata vermelha, Morsi leu o juramento diante do plenário, presidido pelo juiz Farouk Sultan, que lidera também a Comissão Eleitoral Presidencial. "Juro por Deus todo poderoso preservar com lealdade o sistema republicano, respeitar a Constituição e a lei, proteger totalmente os interesses do povo e preservar a independência da pátria, sua integridade e seu território", declarou.

Antes da fala do presidente, o hino nacional foi tocado e o presidente do tribunal, Sultan, discursou: "Morsi é o primeiro presidente eleito por vontade popular e democrática em eleições limpas".

"Aspiramos a um futuro melhor, a um novo Egito e a uma segunda república", disse. "Hoje, a população egípcia deposita a base de uma nova vida - liberdade absoluta, democracia genuína e estabilidade", disse Morsi, de 60 anos, um engenheiro educado nos EUA e ex-membro da Irmandade Muçulmana, grupo que passou a maioria de seus 84 anos de existência como uma organização banida e duramente perseguida por sucessivos governos.

Mais tarde, ele fez seu primeiro discurso público como presidente em um grande centro de convenções da Universidade do Cairo lotado por milhares, incluindo muitos membros de um Parlamento de maioria islâmica dissolvido pelo Exército em 14 de junho.

Morsi abriu seu primeiro discurso público com as palavras "Deus é maior, acima de todos" e prometeu que o Egito não poderia inverter o curso de sua nova democracia após a queda de Mubarak. "O Egito não vai voltar atrás", disse à plateia. O discurso foi transmitido ao vivo pela televisão estatal.

Em seu pronunciamento, Morsi também prometeu apoiar os "direitos legítimos" dos palestinos ao mesmo tempo em que enviou uma mensagem implícita de apoio a Israel. Ele afirmou que seu governo continuará a honrar seus tratados internacionais, em uma referência velada ao acordo de paz entre o Egito e Israel.

As relações entre os dois vizinhos ficaram particularmente tensas desde a renúncia de Mubarak, que teve laços próximos com o Estado judeu em seu governo de quase 30 anos. A chegada ao poder dos islamitas egípcios vem sendo uma fonte de preocupação para muitos israelenses.

O procedimento para o juramento do cargo causou divergências entre os militares no poder e a Irmandade Muçulmana, da qual Morsi se desfiliou após a vitória eleitoral. A junta considerava que Morsi deveria tomar posse na corte Constitucional, mas os islamitas insistiram no Parlamento, dissolvido com a justificativa judicial de que sua composição era irregular. Os islamitas, porém, ainda consideram legítimo o Parlamento escolhido por eleições realizadas entre dezembro e o início deste ano.

Apesar de ceder e aceitar a posse na corte, Morsi desafiou o Exército ao prestar um juramento simbólico ao cargo diante de milhares na sexta-feira na Praça Tahrir, "a praça da liberdade e da revolução", em suas próprias palavras.

Perante dezenas de milhares de partidários, Morsi prometeu na sexta-feira que ninguém poderia lhe tirar sua autoridade, em referência à emenda constitucional aprovada antes do anúncio dos resultados da eleição presidencial garantindo aos militares as funções do legislativo e enfraquecendo as prerrogativas do presidente.

Morsi derrotou o último primeiro-ministro de Mubarak, Ahmed Shafiq, na eleição presidencial, que teve o segundo turno celebrado em 16 e 17 de junho. O islamita obteve 51,73% dos votos.

*Com AP, Reuters, AFP e EFE

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