Presidente eleito do Egito promete lutar por autoridade e garante Estado civil

Na véspera de cerimônia de posse, islamita Morsi faz leitura simbólica de juramento perante dezenas de milhares na Praça Tahrir, epicentro dos protestos que depuseram Mubarak

iG São Paulo | - Atualizada às

Perante dezenas de milhares de partidários, o primeiro presidente islamita e civil eleito do Egito prometeu nesta sexta-feira que ninguém pode lhe tirar sua autoridade e fez uma leitura simbólica de seu juramento na Praça Tahrir, do Cairo, na véspera de sua cerimônia de posse.

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O discurso de palavras duras de Mohammed Morsi foi uma mostra de desafio enquanto ele se prepara para uma disputa com a junta militar, que sucedeu a Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011 e aprovou uma emenda constitucional para assumir a maioria dos poderes presidenciais dias antes do anúncio dos resultados da eleição presidencial deste ano.

"Todos me ouvem agora. O governo, o Exército e a polícia... nenhum poder acima deste poder", disse sob os aplausos da multidão.

O líder islamita também afirmou que o Egito será um "Estado civil, patriota e constitucional".

"Juro por Deus preservar o sistema republicano, respeitar a Constituição e a lei, proteger por completo os interesses do povo e preservar a independência da nação e a segurança de seu território", prometeu solenemente.

Morsi prometeu rejeitar quaisquer esforços de retirar o poder da população, dizendo a seus partidários: "Vocês são a fonte de legitimidade, e aqueles que forem protegidos por outros perderão."

Morsi, um engenheiro de 60 anos educado nos EUA que inicialmente foi apresentado como um candidato substituto pela Irmandade Muçulmana, discursou à multidão com uma voz forte tendo ao lado vários guarda-costas.

Em determinado momento, ele abriu sua jaqueta para mostrar à multidão que não vestia nenhum colete à prova de balas, afirmando "temo ninguém além de Deus".

Muitos partidários conclamaram Morsi a realizar sua cerimônia de posse na praça, epicentro das manifestações que forçaram a renúncia de Mubarak, mas os generais ordenaram que a cerimônia seja feita em frente da Suprema Corte depois da dissolução do Parlamento em 14 de junho.

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Apesar disso, ele leu um juramento informal durante seu discurso, para alegria dos milhares presentes. Muitos gritaram "Te amamos, Morsi" e "Oh, marechal, diga a verdade: Morsi é seu presidente ou não", referindo-se ao chefe da junta militar, Hussein Tantawi.

Os generais prometeram transferir o poder para um presidente eleito até o domingo. Mas eles também se concederam vários poderes que diminuem a autoridade presidencial. A declaração constitucional também nomeou os generais que comporão a Assembleia Legislativa no lugar do Parlamento dissolvido.

*Com AP e AFP

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