Opositores da Síria denunciam dia mais mortal desde início de levante anti-Assad

De acordo com ativistas, 190 foram mortos em várias cidades na quinta-feira, com o subúrbio de Doula sendo o mais atingido; Annan diz estar otimista com reunião de sábado

iG São Paulo |

A oposição da Síria relatou nesta sexta-feira o período de 24 horas mais mortais do levante contra o presidente Bashar al-Assad, iniciado há 15 meses, e anunciou que os rebeldes capturaram dois generais sírios, um deles sendo o oficial de mais alta patente a cair nas mãos dos militantes.

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Reuters
Residentes enterram corpos de pessoas que dizem ter sido mortas por forças leais a Bashar em Habeet, perto de Idlib (28/06)

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Contagens feitas pelos grupos de oposição da Síria indicam que na quinta-feira o número de mortos chegou a 190 em várias cidades e vilas de todo o país. Como o governo sírio dificulta o acesso da imprensa internacional, os números não puderam ser confirmados de forma independente.

O total de mortos foi divulgado enquanto o mediador internacional Kofi Annan disse estar "otimista" de que o encontro do Grupo de Ação para a Síria, que ocorre no sábado na sede europeia da ONU, em Genebra, produzirão um resultado aceitável. A afirmação foi feita depois de a Rússia - que participará do evento com os outros quatro membros permanentes do Conselho de Segurança (EUA, China, Reino Unido e França) mais Turquia, Iraque, Kuwait e Catar - propor mudanças em seu plano para um governo de unidade nacional.

O número mais alto de mortos concentrou-se em Douma, subúrbio insurgente a 5 km a noroeste da capital Damasco, de acordo com informações do Observatório de Direitos Humanos da Síria, um grupo baseado no Reino Unido, e dos Comitês de Coordenação Local, cuja base fica na Síria.

Nesta sexta-feira, moradores de Douma envolveram corpos mutilados e ensanguentados em lençóis brancos, preparando-os para o sepultamento, segundo vídeo divulgado pela Internet. Alguns ativistas disseram que mais de 50 das mortes da quinta-feira aconteceram em Douma.

O vídeo publicado no YouTube mostrou fileiras de corpos envoltos nos lençóis, enfileirados em uma rua que ativistas disseram ser em Douma. O Observatório Sírio de Direitos Humanos relatou que 41 pessoas foram mortas na cidade, mas outros ativistas contabilizaram até 59 vítimas.

"Douma, manhã de 29 de junho de 2012. Esse é o massacre cometido contra o povo de Douma. Deus é o nosso salvador. Duas famílias inteiras estão aqui (entre os mortos)... Deus nos ajude", disse o homem que filmava a cena.

Um homem segurou o corpo mutilado de uma menina, com a blusa rosa encharcada de sangue. "Esse é mais um dos massacres cometidos por Assad e sua polícia secreta", disse. "É mais um dos massacres da comunidade internacional, todas as grandes nações têm conspirado contra o nosso povo."

Douma há semanas está sob cerco das forças de segurança leais a Assad. Ativistas dizem que há dias a cidade sofre ataques de foguetes, em meio a intensos combates entre rebeldes e forças governamentais. Um vídeo mostrou casas sem telhado e nuvens de poeira se erguendo de prédios destruídos.

Um ativista chamado Mohammed Doumany contou à Reuters por Skype que 22 pessoas de uma mesma família foram mortas. "Dezenas de vítimas ainda estão esperando para serem enterradas, pois a cidade continua sob fogo", disseram ativistas em mensagem pela Internet, acrescentando que há muitos feridos em estado grave.

Nas últimas semanas, os combates na Síria estão se intensificando, pois os rebeldes aparentemente tiveram acesso a armas capazes de atacar tanques , impondo mais baixas às forças de Assad. O Exército reagiu à altura, usando helicópteros para bombardear rebeldes e impondo um cerco a cidades rebeldes.

Ativistas de oposição acusam a comunidade internacional de inação. A diplomacia até agora não conseguiu alcançar um acordo entre potências ocidentais, favoráveis à oposição, e a Rússia, que usa seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para barrar qualquer iniciativa de governos ocidentais e árabes contra Assad .

AP
Membros do Exército Livre da Sìria são vistos em bairro de Damasco (28/06)

Entrevista de Assad

Em entrevista à rede de televisão iraniana IRIB4, Assad acusou o Ocidente de "colonialismo" e de tentar impor sua política ao resto do mundo, ao mesmo tempo em que rejeitou uma solução imposta pela comunidade internacional para o conflito de seu país.

Para Assad, o conflito sírio "é um assunto interno e por isso não cabe uma intervenção internacional" e, dessa maneira, o regime de Damasco não aceitará pressões externas para manter a segurança do país. O presidente sírio acusou alguns países vizinhos, em referência à Turquia e Arábia Saudita, de atuar para "reduzir a grande influência da Síria na região".

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Para Assad, a maioria das mortes no conflito sírio é causada por grupos "extremistas" e terroristas", que, segundo ele, são apoiados por potências estrangeiras que "buscam o caos". Por esse motivo, Assad anunciou que as operações militares e das forças de segurança do governo contra os grupos opositores armados continuarão, pois "temos a responsabilidade de aniquilar os terroristas em todos os pontos do país".

*Com New York Times, Reuters e EFE

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