Governo e oposição trocam acusações sobre ataque contra TV pró-Assad na Síria

Enquanto governo sírio culpa rebeldes, opositores alegam que membros da Guarda Republicana destruíram estação de TV por satélite perto de Damasco

iG São Paulo |

Governo sírio e opositores trocaram acusações nesta quarta-feira sobre o ataque a uma estação de TV privada, perto de Damasco, que deixou ao menos sete mortos.

Inédito: Ataque contra emissora de TV deixa sete mortos na Síria

Enquanto o governo de Bashar al-Assad acusa rebeldes de terem atacado a TV pró-governo Al-Ikhbariya,15 km a oeste da capital síria, matando funcionários e explodindo estúdios e estruturas, opositores dizem que os ataques foram feitos pela força de elite Guarda Republicana, considerada a força mais leal ao regime de Assad.

Reuters
Instalações da TV Al-Ikhbariya pró-Assad destruídas após ataque

Após saquear e destruir os estúdios, os militantes colocaram artefatos explosivos nas instalações do canal de TV por satélite. A televisão oficial síria mostrou imagens do local, nas quais era possível ver a sede do canal destruída.

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O ministro da Informação sírio, Omran al Zubi, qualificou o ataque como "o pior massacre contra a imprensa e a liberdade de expressão por executar jornalistas sírios a sangue frio e destruir com brutalidade o edifício da televisão Al-Ikhbariya".

Se as denúncias dos rebeldes forem confirmadas, o ataque constituiria uma violação significativa das forças sírias leais ao presidente, que na terça-feira à noite admitiu que o país está em “estado de guerra”, uma definição diferente do que costumava chamar de onda de violência apoiada por grupos terroristas estrangeiros.

O ataque ao canal de TV ocorre um dia após violentos confrontos entre opositores e forças sírias terem tomado parte da capital Damasco.

Relatório

Também nesta quarta-feira, a ONU acusou forças do governo sírio de cometer violações aos direitos humanos "em escala alarmante" nos últimos três meses, incluindo execuções, segundo um relatório divulgado por uma equipe de investigadores sob comando do brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro .

O grupo disse não ter sido possível identificar os autores do massacre de mais de 100 pessoas em maio na localidade de Hula, mas ressaltou que "forças leais ao governo podem ter sido responsáveis por muitas das mortes". O relatório cita também mortes cometidas pela oposição armada, que cada vez mais usa explosivos improvisados em sua rebelião contra Assad.

"A situação no terreno está se deteriorando de forma perigosa e rápida", disse o relatório de 20 páginas, citando o uso de metralhadoras, canhões e tanques em ataques do governo contra áreas rebeladas na cidade de Homs.

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"No contexto cada vez mais militarizado, violações aos direitos humanos estão ocorrendo em todo o país numa escala alarmante durante as operações militares contra locais que supostamente abrigam desertores e/ou aqueles vistos como afiliados aos grupos armados antigoverno, inclusive o 'Exército Sírio Livre'." Os investigadores também acusaram os rebeldes de usarem “crianças como maqueiros, mensageiros ou cozinheiros, expondo-as ao risco de morte e lesões".

O relatório se baseia em quase 400 entrevistas, além de fotos, vídeos, imagens de satélites e outras provas documentais.

O enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, anunciou um encontro de membros da ONU sobre a Síria, na qual ficarão de fora Irã e Arábia Saudita.

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O grupo de ação sobre a Síria, que reúne, entre outros, os cinco países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, realizará uma reunião no sábadoem Genebra. Alémdos cinco membros do Conselho de Segurança (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia), também foram convidados chanceleres do Catar, Iraque e Turquia.

"Os objetivos do grupo de ação sobre a Síria são identificar as etapas e as medidas para garantir a aplicação completa do plano em seis pontos e das resoluções 2042 e 2043 do Conselho de Segurança, incluindo o fim imediato da violência sob todas as suas formas", declarou Annan.

*Com AP e EFE

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