Ataque contra emissora de TV deixa sete mortos na Síria

Três jornalistas e quatro seguranças morreram em ação de militantes que destruiu estúdios da estação de TV a cabo; relatório da ONU acusa Assad de graves violações

iG São Paulo | - Atualizada às

Pelo menos sete pessoas morreram nesta quarta-feira no ataque de "um grupo armado" à sede da rede de televisão pró-governo Al-Ikhbariya, nos arredores da capital Damasco. O ataque se deu quando homens armados invadiram a sede da TV na manhã desta quarta-feira, matando funcionários e sequestrando outros. O governo culpou terroristas e descreveu os assassinatos como um "massacre".

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A ação acontece no dia em que investigadores da ONU divulgam um relatório em que acusam forças de Assad de graves violações de direitos humanos "em escala alarmante" nos últimos três meses.

Reuters
Instalações da TV Al-Ikhbariya pró-Assad destruídas após ataque

Segundo um fotógrafo da Associated Press, que visitou o local após o ataque, parte de estúdios foram destruídos e prédios, demolidos. Havia sangue no chão, buracos de balas na parede e algumas estruturas de madeiras estavam queimadas.

A Al-Ikhbariya é uma TV privada que apoia o regime do presidente Bashar al-Assad. 

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Três jornalistas e quatro seguranças morreram e nove ficaram feridos na ação que teve início às 4h30 locais (22h30 de Brasília), contra as instalações da emissora na zona de Drousha, 15 quilômetros a oeste de Damasco.

Após saquear e destruir os estúdios, os militantes colocaram artefatos explosivos nas instalações do canal de TV por satélite. A televisão oficial síria mostrou imagens do local, nas quais era possível ver a sede do canal destruída pelas explosões.

O ministro da Informação sírio, Omran al Zubi, qualificou o ataque como "o pior massacre contra a imprensa e a liberdade de expressão por executar jornalistas sírios a sangue frio e destruir com brutalidade o edifício da televisão Al-Ikhbariya". 

Relatório

Nesta quarta-feira, a ONU acusou forças do governo sírio de cometer violações aos direitos humanos "em escala alarmante" nos últimos três meses, incluindo execuções, segundo um relatório divulgado por uma equipe de investigadores sob comando do brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro .

O grupo disse não ter sido possível identificar os autores do massacre de mais de 100 pessoas em maio na localidade de Hula, mas ressaltou que "forças leais ao governo podem ter sido responsáveis por muitas das mortes". O relatório cita também mortes cometidas pela oposição armada, que cada vez mais usa explosivos improvisados em sua rebelião contra Assad.

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"A situação no terreno está se deteriorando de forma perigosa e rápida", disse o relatório de 20 páginas, citando o uso de metralhadoras, canhões e tanques em ataques do governo contra áreas rebeladas na cidade de Homs.

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"No contexto cada vez mais militarizado, violações aos direitos humanos estão ocorrendo em todo o país numa escala alarmante durante as operações militares contra locais que supostamente abrigam desertores e/ou aqueles vistos como afiliados aos grupos armados antigoverno, inclusive o 'Exército Sírio Livre'." Os investigadores também acusaram os rebeldes de usarem “crianças como maqueiros, mensageiros ou cozinheiros, expondo-as ao risco de morte e lesões".

O relatório se baseia em quase 400 entrevistas, além de fotos, vídeos, imagens de satélites e outras provas documentais.

Também nesta quarta-feira, o enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, anunciou uma reunião de membros da ONU sobre a Síria, na qual ficarão de fora Irã e Arábia Saudita.

O grupo de ação sobre a Síria, que reúne, entre outros, os cinco países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, realizará uma reunião no sábado em Genebra, anunciou nesta quarta-feira Kofi Annan, o emissário especial das Nações Unidas e da Liga Árabe.

Além dos cinco membros do Conselho de Segurança (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia), também foram convidados chanceleres do Catar, Iraque e Turquia.

"Os objetivos do grupo de ação sobre a Síria são identificar as etapas e as medidas para garantir a aplicação completa do plano em seis pontos e das resoluções 2042 e 2043 do Conselho de Segurança, incluindo o fim imediato da violência sob todas as suas formas", declarou Annan. 

*Com AP e EFE

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