Choques são os mais intensos entre opositores e forças especiais que garantem segurança da capital síria desde início do levante; presidente admitiu 'estado de guerra'

A Guarda Republicana, força de elite da Síria, entrou em confronto nesta terça-feira nos arredores de Damasco, em um dos choques mais intensos envolvendo as forças especiais que garantem a segurança da capital desde o início do levante contra o presidente Bashar al-Assad, em março de 2011, disseram ativistas.

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Os confrontos aconteceram perto das áreas residenciais e bases da Guarda Republicana no subúrbios de Qudsaya e Hammah, cerca de 8 km do centro de Damasco, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, cuja base fica no Reino Unido. Os choques teriam deixado ao menos seis mortos.

A Guarda Republicana, que é comandada pelo irmão mais novo de Assad, Maher, é encarregada de proteger a capital, centro do poder do regime.

Um vídeo publicado por ativistas registrou tiroteio pesado e explosões. Um espesso rastro de sangue em uma calçada no bairro de Qudsaya seguia até um prédio para onde uma vítima havia sido levada. Samir al-Shami, um ativista em Damasco, disse que tanques e veículos blindados também foram para as ruas dos subúrbios e alguns ativistas relataram a explosão de um tanque.

O Observatório, que tem uma rede de ativistas pela Síria, disse que forças de segurança e veículos blindados invadiram o bairro de Barzeh, um ponto de apoio da oposição dentro de Damasco, com sons de artilharia pesada.

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Assad declarou nesta terça-feira que seu país está em guerra e determinou que seu governo não poupe esforços para a vitória. "Vivemos em um real estado de guerra por todos os ângulos", disse Assad, com transmissão pela TV. "Quando estamos em uma guerra, todas as políticas e todos os lados e todos os setores precisam ser direcionados para vencer essa guerra."

A revolta contra o governo de Assad tornou-se cada vez mais violenta em resposta à repressão do Exército. Combates agora são relatados regularmente em Damasco, no passado considerado um bastião de apoio a Assad.

Um vídeo filmado por ativistas antigoverno na cidade de Homs mostrou detonações de armas pesadas e plumas de fumaça negra erguendo-se sobre os telhados de edifícios destruídos e abandonados.

Equipes de ajuda se encaminhavam para Homs para tentar retirar civis presos e feridos, mas as negociações ainda estão em andamento para garantir um acesso seguro, afirmou o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), em Genebra. "Não podemos prever quando a equipe será capaz de fazê-lo", disse o porta-voz do CICV Bijan Farnoudi à Reuters.

Trabalhadores humanitários vêm buscando acesso à cidade desde que as forças governamentais e grupos de oposição concordaram na semana passada, a pedido da agência, com uma pausa humanitária nos combates .

Também nesta terça-feira, a ONU decidiu manter suspensas as operações dos observadores na Síria por causa da continuidade da violência, anunciou ao Conselho de Segurança o subsecretário-geral para Operações de Paz das Nações Unidas, Hervé Ladsous.

O chefe dos "boinas azuis" afirmou que as condições no país árabe são ainda "muito perigosas" para os militares desarmados que integram a Missão de Supervisão das Nações Unidas na Síria (UNSMIS), cujas atividades foram suspensas em 16 de junho.

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O chefe da UNSMIS, o general norueguês Robert Mood, há dez dias justificou a suspensão das operações dizendo que o aumento da violência limitava sua "capacidade de observar, verificar e informar, assim como de apoiar o diálogo local e os projetos de estabilidade".

A atenção se concentra também na possível realização, em 30 de junho em Genebra, de uma conferência sobre a Síria apoiada pelo enviado da ONU e da Liga Árabe, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, e na qual a Rússia anunciou que estará presente.

Esse encontro deve reunir os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) e os países com influência sobre a região, incluindo, segundo defendeu o enviado especial, o Irã. No entanto, a reunião ainda não está confirmada porque as potências ocidentais duvidam de sua efetividade e porque falta consenso quanto aos participantes da reunião, já que a presença de Teerã não agrada aos EUA nem à Arábia Saudita.

*Com AP, EFE e AFP

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