Milhares protestam no Egito; junta militar culpa Irmandade por tensão eleitoral

Dezenas de milhares lotam Praça Tahrir contra aumento de poder das Forças Armadas e a favor de candidato da Irmandade Muçulmana

iG São Paulo | - Atualizada às

O Conselho Supremo das Forças Armadas, junta militar que sucedeu a Hosni Mubarak no ano passado, culpou nesta sexta-feira a Irmandade Muçulmana por aumentar as tensões ao divulgar resultados presidenciais antecipadamente . Além disso, os militares defenderam sua decisão de garantir para si mesmos maiores poderes .

Incerteza:  Egito adia anúncio de resultado da eleição presidencial

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Egípcios gritam slogans contrário à junta militar na Praça Tahrir, no Cairo

Incerteza: Silêncio de junta militar sobre estado de Mubarak aumenta tensão no Egito

A declaração da junta militar foi feita enquanto dezenas de milhares se aglomeraram na Praça Tahrir, do Cairo, para apoiar Mohammed Morsi, candidato presidencial do Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana.

Os manifestantes também denunciaram o que veem como uma diminuição da autoridade do próximo líder pela tomada de poderes pelos militares. A manifestação é a maior em quatro dias consecutivos, mostrando o potencial explosivo da situação no Egito. Protestos similares também ocorreram em Alexandria, a segunda maior cidade egípcia.

A Irmandade declarou Morsi o vencedor em um segundo turno eleitoral poucas horas depois de as seções fecharem no domingo. A declaração foi contestada pelo rival de Morsi, Ahmed Shafiq, que foi o último primeiro-ministro de Mubarak.

De acordo com a rede de TV americana CNN, Shafiq será nomeado o novo presidente do Egito no domingo. A informação, segundo a CNN, foi dada pelo site de notícias semioficial Ahram Online, que cita diversas fontes governamentais sob condição de anonimato.

Não houve, no entanto, confirmação de autoridades no Cairo. A população aguarda ansiosamente a divulgação dos resultados da eleição disputada entre Shafiq e Morsi. Shafiq será declarado vencedor com 50,7% dos votos, de acordo com Ahram Online.

O conselho militar disse em uma declaração lida na TV estatal desta sexta-feira que levantar dúvidas sobre o futuro do Egito é um meio de pressionar a opinião pública. "Anunciar os resultados da eleição presidencial antes de uma declaração oficial é injustificado e é uma das principais razões por trás da divisão e confusão que prevalece no cenário político", disse o comunicado sem citar a Irmandade nominalmente.

Os resultados oficial seriam divulgados na quinta-feira, mas as autoridades adiaram o anúncio , desatando uma onda de acusações de fraude e de manipulação direcionadas a todos os lados, incluindo a junta militar.

Na semana passada, os generais divulgaram uma declaração constitucional que lhes deu amplos poderes , muitos dos quais seriam da competência do presidente eleito. À medida seguiu-se uma condenação internacional, dizendo que a decisão levantava dúvidas sobre o compromisso da junta militar em transferir os poderes para uma autoridade civil eleita.

Emendas: Junta militar egípcia mantém poderes apesar de eleição presidencial

O Exército disse que transferiria o poder até 1º de julho, mas os generais puseram isso dúvida em semanas recentes por causa das incertezas políticas. O conselho disse que sua declaração constitucional era necessária para que continuasse tocando os assuntos do país durante o "período crítico".

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Candidato da Irmandade Muçulmana, Mohammed Morsi (C), participa de preces de sexta-feira no Cairo, Egito

Os militares também rejeitaram pedidos de reinstalar o Parlamento dominado pela Irmandade Muçulmana, que foi dissolvido por uma decisão judicial na semana passada. No comunicado, a junta afirmou que decisões da corte devem ser respeitadas.

Maioria islâmica: Suprema Corte do Egito ordena dissolução do Parlamento

Vários grupos políticos, entre eles a Irmandade Muçulmana, protagonizam os protestos desta sexta-feira para rejeitar as últimas decisões da junta militar. A campanha de Morsi informou que anunciará em breve um "grande projeto para salvar a revolução egípcia".

A iniciativa contaria com o apoio de líderes políticos como o Nobel da paz Mohamed El Baradei e o islamita ex-candidato à eleição Abdel Moneim Abul Futuh, além de intelectuais e forças revolucionárias.

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