Silêncio de junta militar sobre estado de Mubarak aumenta tensão no Egito

Há informações de que presidente deposto na Primavera Árabe está em coma, mas sobrevive sem a ajuda de aparelhos; advogado diz que ele apenas caiu em banheiro

iG São Paulo | - Atualizada às

Hosni Mubarak , presidente forçado a renunciar no ano passado por um levante popular de 18 dias em meio à Primavera Árabe no Egito, está em coma nesta quarta-feira, mas sobrevivendo sem a ajuda de aparelhos, com seu coração e outros órgãos vitais funcionando, de acordo com funcionários de segurança citados pela Associated Press.

Rumores: Egito tem informações conflitantes sobre estado de Mubarak 

AFP
Egípcios leem jornais locais que destacam a situação de saúde do presidente deposto Hosni Mubarak

Mobilização: Milhares protestam após convocação da Irmandade Muçulmana

Durante a madrugada, a mídia estatal informou que o ex-líder de 84 anos, que foi sentenciado à prisão perpétua em 2 de junho , sofreu um derrame. Ele foi transferido para um hospital militar de uma prisão do Cairo onde cumpria a sentença por fracassar em impedir a morte de cerca de 900 manifestantes durante o levante popular que forçou sua renúncia em 11 de fevereiro de 2011.

Sua mulher, Suzanne, estava a seu lado no hospital em Maadi, subúrbio ao sul da capital egípcia. Autoridades de segurança disseram que uma equipe de 15 médicos, incluindo especialistas em coração, sangue e cérebro, supervisiona a condição de Mubarak. As autoridades falaram sob condição de anonimato por não terem autorização para dar declarações à mídia.

Durante a madrugada, Farid el-Dib, um dos advogados de Mubarak, disse que o estado de saúde de Mubarak havia melhorado , negando informações anteriores de que estava em morte clínica. Já Youssri Abdel Razeq, outro advogado do líder deposto, desmentiu as informações de que ele quase mmorreu na noite passada, afirmando que Mubarak apenas caiu no banheiro da prisão onde estava no Egito.

Advogado:  Mubarak apenas caiu no banheiro da prisão do Egito, diz advogado

O problema de saúde de Mubarak surge em um momento de aumento de tensão no Egito. Ambos os candidatos presidenciais de um segundo turno eleitoral altamente contestado se declararam vencedores após as eleições do fim de semana . Ao mesmo tempo, a junta militar que sucedeu a Mubarak no ano passado agiu para agarrar-se ao poder mais de uma semana antes do período previsto para a transferência completa da autoridade para uma administração civil eleita nas urnas.

Os generais tiraram do próximo presidente muitos de seus poderes em uma declaração feita enquanto as seções eleitorais eram fechadas após o segundo turno no domingo à noite. Com o decreto, eles tomaram o controle da redação da nova Constituição e assumiram o poder legislativo depois de uma corte ter ordenado a dissolução de um Parlamento de maioria islâmica que foi eleito em uma votação entre dezembro e março.

O segundo turno pôs o último primeiro-ministro de Mubarak, Ahmed Shafiq, contra os islâmico conservador Mohammed Morsi, da Irmandade Muçulmana. A disputa dividiu o país, e as declarações de vitória dos rivais aumentaram o tumulto que atinge o país desde a queda de Mubarak.

Emendas: Junta militar egípcia mantém poderes apesar de eleição presidencial

AP
O ex-presidente do Egito Hosni Mubarak é visto durante julgamento no Cairo (29/01)

'Eleição incostitucional': Suprema Corte do Egito ordena dissolução do Parlamento

Mubarak e seus filhos, Gamal e Alaa, foram absolvidos de acusações de corrupção. Mas os dois filhos ainda estão na prisão de Torah enquanto aguardam um julgamento sobre uso de informação privilegiada . Os dois estavam ao lado do pai no hospital de Torah, mas tiveram recusado seu pedido de acompanhá-lo até o hospital militar de Maadi.

*Com AP

    Leia tudo sobre: egitomubarakprimavera árabemorsishafiqirmandade muçulmana

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG