Mubarak apenas caiu no banheiro da prisão do Egito, diz advogado

Defesa desmente informações de que líder deposto quase morreu na terça-feira, enquanto junta militar mantém silêncio sobre o caso

iG São Paulo | - Atualizada às

Uma sensação de intriga política aumentou a confusão sobre o estado de saúde de Hosni Mubarak nesta quarta-feira depois que um de seus advogados contradisse o que chamou de informações falsas da mídia estatal de que ele quase morreu na terça-feira , afirmando que o presidente deposto no ano passado simplesmente desmaiou no banheiro da prisão.

Incerteza:  Silêncio de junta militar sobre estado de Mubarak aumenta tensão no Egito

O novo relato, feito pelo advogado Youssri Abdel Razeq, aumentou as questões não apenas sobre a condição de saúde de Mubarak, mas sobre quais os possíveis motivos do silêncio sobre o assunto  do Conselho Supremo das Forças Armadas, junta militar que sucedeu ao ex-líder depois que ele foi forçado a renunciar em 11 de fevereiro de 2011 por um levante popular de 18 dias em meio à Primavera Árabe .

Previamente, Farid el-Dib, um outro advogado de Mubarak, disse que o estado de saúde do ex-mandatário melhorou , depois de ter sido intensificado seu tratamento na noite de terça, negando assim os relatos que ele "estava clinicamente morto".

Rumores: Egito tem informações conflitantes sobre estado de Mubarak

Durante a madrugada, a mídia estatal informou que o ex-líder de 84 anos, que foi sentenciado à prisão perpétua em 2 de junho , sofreu um derrame. Ele foi transferido para um hospital militar de uma prisão do Cairo onde cumpria havia 17 dias a sentença por fracassar em impedir a morte de cerca de 900 manifestantes durante o levante popular. Seus advogados reclamaram que a deterioração de sua saúde indicava que ele devia ser poupado da prisão.

Informações conflitantes sobre sua saúde começaram a circular na terça-feira, incluindo a que ele foi declarado "clinicamente morto". Autoridades egípcias, a agência estatal e a mídia oficial disseram que ele havia sido transferido ao hospital depois de um derrame e um ataque cardíaco terem-no deixado em coma, perto da morte e dependente de aparelhos para manter-se vivo.

Abdel Razeq negou essas informações nesta quarta-feira. O que realmente aconteceu, disse, é que Mubarak sofreu um queda no banheiro da prisão, resultando em um coágulo de sangue em seu pescoço, com ele tendo sido retirado da prisão às 17h locais - muito antes das informações sobre sua quase morte terem começado a surgir.

Segundo o advogado, os médicos rapidamente ministraram remédios para retirar o coágulo e submeteram Mubarak a testes. A equipe de defesa de Mubarak apresentou um pedido a uma corte administrativa para libertar Mubarak sob justificativas médicas. No início desta quarta-feira, funcionários de segurança disseram que Mubarak está em coma, mas respira sem a ajuda de aparelhos, com seu coração e outros órgãos vitais funcionando e sua condição estável.

A controvérsia sobre a saúde de Mubarak surge em um momento de aumento de tensão no Egito. Ambos os candidatos presidenciais de um segundo turno eleitoral altamente contestado se declararam vencedores após as eleições do fim de semana . Ao mesmo tempo, a junta militar que sucedeu a Mubarak agiu para agarrar-se ao poder mais de uma semana antes do período previsto para a transferência completa da autoridade para uma administração civil eleita nas urnas.

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AFP
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Os generais tiraram do próximo presidente muitos de seus poderes em uma declaração feita enquanto as seções eleitorais eram fechadas após o segundo turno no domingo à noite. Com o decreto, eles tomaram o controle da redação da nova Constituição e assumiram o poder legislativo depois de uma corte ter ordenado a dissolução de um Parlamento de maioria islâmica que foi eleito em uma votação entre dezembro e março.

O segundo turno pôs o último primeiro-ministro de Mubarak, Ahmed Shafiq, contra os islâmico conservador Mohammed Morsi, da Irmandade Muçulmana. A disputa dividiu o país, e as declarações de vitória dos rivais aumentaram o tumulto que atinge o Egito desde a queda de Mubarak.

Mubarak e seus filhos, Gamal e Alaa, foram absolvidos de acusações de corrupção. Mas os dois filhos ainda estão na prisão de Torah enquanto aguardam um julgamento sobre uso de informação privilegiada . Os dois estavam ao lado do pai no hospital de Torah, mas tiveram recusado seu pedido de acompanhá-lo até o hospital militar de Maadi.

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