Egito adia anúncio de resultado da eleição presidencial

Comissão diz que precisa de tempo para avaliar reclamações dos candidatos Morsi e Shafiq, que se declararam vencedores; resultado estava previsto para quinta-feira

iG São Paulo | - Atualizada às

A Comissão Eleitoral do Egito adiou nesta quarta-feira o anúncio do resultado do segundo turno da eleição presidencial, inicialmente previsto para quinta-feira, disse a televisão estatal. A comissão justificou a decisão afirmando precisar de mais tempo para rever as reclamações apresentadas pelos dois candidatos, ambos reivindicando a vitória .

Incerteza: Silêncio de junta militar sobre estado de Mubarak aumenta tensão no Egito

AP
Partidários da Irmandade Muçulmana protestam contra junta militar no Cairo (19/06)

Mobilização: Milhares protestam após convocação da Irmandade Muçulmana

Os egípcios votaram no final de semana para escolher um substituto para Hosni Mubarak , que foi derrubado em um levante popular no ano passado. A disputa era entre Mohammed Morsi, da Irmandade Muçulmana, e Ahmed Shafiq, um antigo comandante da Força Aérea que foi o último primeiro-ministro de Mubarak.

"Não podemos anunciar quando exatamente será o momento do anúncio dos resultados da eleição porque agora estamos no estágio de ouvir os representantes", disse o secretário-geral do comitê, Hatem Bagato. "O comitê se reunirá depois para decidir se aceitará as apelações ou não. Depois disso, haverá um tempo definido para anunciar o resultado final", acrescentou.

Um grande atraso no anúncio dos resultados pode prolongar a incerteza e aumentar a tensão num momento em que não está claro qual é o tamanho do papel do Conselho Supremo das Forças Armadas, junta militar que sucedeu a Mubarak em 11 de fevereiro de 2011, na liderança do país.

Os generais tiraram do próximo presidente muitos de seus poderes em uma declaração feita enquanto as seções eleitorais eram fechadas após o segundo turno no domingo à noite. Com o decreto, eles tomaram o controle da redação da nova Constituição e assumiram o poder legislativo depois de uma corte ter ordenado a dissolução de um Parlamento de maioria islâmica que foi eleito em uma votação entre dezembro e março.

Na terça-feira, um grupo de monitoramento eleitoral americano disse que era incapaz de dizer se a eleição presidencial do Egito foi livre e justa, já que não havia obtido acesso suficiente às seções eleitorais, acusando a liderança militar de atrasar a transição para a democracia.

Rumores: Egito tem informações conflitantes sobre estado de Mubarak

O anúncio do adiamento foi feito enquanto a junta militar  mantém silêncio sobre o estado de saúde de Mubarak um dia depois de rumores de que ele quase morreu . Durante a madrugada, a mídia estatal informou que o ex-líder de 84 anos, que foi sentenciado à prisão perpétua em 2 de junho, sofreu um derrame. Ele foi transferido para um hospital militar de uma prisão do Cairo onde cumpria a sentença por fracassar em impedir a morte de cerca de 900 manifestantes durante a mobilização popular do ano passado.

Informações conflitantes sobre sua saúde começaram a circular na terça-feira, incluindo a que ele foi declarado "clinicamente morto". Autoridades egípcias, a agência estatal e a mídia oficial disseram que ele havia sido transferido ao hospital depois de um derrame e um ataque cardíaco terem-no deixado em coma, perto da morte e dependente de aparelhos para manter-se vivo.

AFP
Egípcios leem jornais locais que destacam a situação de saúde do presidente deposto Hosni Mubarak

No início desta quarta-feira, funcionários de segurança disseram sob condição de anonimato que Mubarak está em coma, mas respira sem a ajuda de aparelhos, com seu coração e outros órgãos vitais funcionando e sua condição estável.

Advogado: Mubarak apenas caiu no banheiro da prisão do Egito

Mas uma sensação de intriga política aumentou a confusão sobre o caso depois que Youssri Abdel Razeq, um dos advogados de Mubarak, contradisse as informações, afirmando que o presidente deposto apenas desmaiou no banheiro da prisão. Segundo ele, a queda resultou em um coágulo de sangue em seu pescoço, com ele tendo sido retirado da prisão às 17h locais - muito antes das informações sobre sua quase morte terem começado a surgir.

De acordo com Razeq, os médicos rapidamente ministraram remédios para retirar o coágulo e submeteram Mubarak a testes. A equipe de defesa de Mubarak apresentou um pedido a uma corte administrativa para libertar Mubarak sob justificativas médicas.

*Com AP e New York Times

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