Egito tem informações conflitantes sobre estado de presidente deposto Mubarak

Aumentam rumores sobre sua morte. Agência diz que ele está 'clinicamente morto', enquanto fonte do governo nega informação e fonte médica diz que ele está em coma

iG São Paulo | - Atualizada às

Informações conflitantes surgiram nesta terça-feira sobre se o presidente deposto Hosni Mubarak , do Egito, morreu.

Mobilização:  Milhares protestam após convocação da Irmandade Muçulmana

AP
O ex-presidente do Egito Hosni Mubarak é visto durante julgamento no Cairo (29/01)

Emendas: Junta militar egípcia mantém poderes apesar de eleição presidencial

Citando fontes médicas, a agência estatal Mena disse que o líder deposto por um levante popular em meio à Primavera Árabe foi declarado "clinicamente morto" depois de chegar a um hospital militar no Cairo, para onde foi transferido depois de sofrer um derrame e uma parada cardíaca no início do dia. A expressão "clinicamente morto" normalmente se refere à morte cerebral. Se confirmada, portanto, a informação indica que ele poderia estar sendo mantido vivo por aparelhos.

Mas o general Mamdouh Shahin, membro do Conselho Supremo das Forças Armadas (junta militar  que sucedeu a Mubarak  em fevereiro de 2011), disse à rede de TV CNN "que ele não está clinicamente morto como relatado, mas sua saúde está deteriorando e sua condição é crítica".

De acordo com uma fonte médica citada pela France Presse, Mubarak está "em coma e os médicos tentam reanimá-lo. Respira com a ajuda de aparelhos".

De acordo com o porta-voz Alaa Mahmoud, Mubarak, de 84 anos, foi transferido de ambulância da Prisão de Torah para o vizinho Hospital Maadi, no Cairo. A instalação militar é onde o antecessor de Mubarak, Anwar Sadat, foi declarado morto depois de ser atingido por um disparo de extremistas islâmicos em 1981.

Mubarak foi sentenciado à prisão perpétua em 2 de junho por fracassar em impedir a morte de 850 manifestantes no levante do ano passado que levou à sua queda. Fontes de segurança indicaram que ele vinha sofrendo de depressão severa, de dificuldades respiratórias e de hipertensão.

As informações sobre a saúde de Mubarak surgiram enquanto milhares de egípcios compareceram à Praça Tahrir , epicentro dos protestos que levaram à queda do ex-presidente no ano passado, depois de uma convocação da Irmandade Muçulmana.

Vários grupos, entre eles a Irmandade, se manifestaram contra a recente dissolução do Parlamento de maioria islâmica e as últimas emendas constitucionais anunciadas pelo Conselho Supremo das Forças Armadas.

A Irmandade se opõe à decisão da junta militar de blindar suas prerrogativas de maneira unilateral por meio das emendas à Declaração Constitucional provisória e vigente desde março de 2011.

Segundo essas remodelações, o conselho conservará a autonomia nas decisões que afetem o Exército, além do poder legislativo que retomou após a dissolução do Parlamento. O novo presidente será capaz de formar e dissolver o governo, ratificar e rejeitar leis e declarar guerra, mas apenas com a aprovação dos militares.

Milhares de manifestantes repetiram palavras de ordem contra a autoridade militar e a favor da transferência imediata do poder ao próximo presidente eleito enquanto erguiam retratos de Mohammed Morsi, candidato presidencial do Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana.

Nesta terça-feira, Morsi e seu rival nas eleições do fim de semana , o ex-premiê de Mubarak Ahmed Shafiq, reivindicaram para si a vitória eleitoral. Os resultados oficiais devem ser divulgados na quinta-feira.

*Com BBC, EFE e AFP

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