Irmandade Muçulmana protesta contra junta militar do Egito

Grupo convocou uma manifestação em massa para esta terça-feira contra emendas que concedem mais poderes ao Exército

iG São Paulo | - Atualizada às

A Irmandade Muçulmana convocou nesta terça-feira uma manifestação na Praça Tahrir para protestar contra as emendas introduzidas pela Junta Militar à Constituição interina , que lhe concedem mais poderes.

Na semana passada, os generais divulgaram dois decretos dissolvendo o Parlamento egípcio, dominado pelos islâmicos, e concedendo a si mesmos poderes de legislar. Os deputados também devem tentar entrar no prédio do Parlamento nesta terça-feira.

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Egípcios discutem durante protesto próximo ao Parlamento do Cairo

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Em meio a essa situação, a Irmandade afirma que os resultados oficiais da eleição presidencial confirmam que seu candidato é o vencedor. Um porta-voz do Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade, anunciou que seu presidente, Mohammed Morsi, teve 13.238.298 votos, ou 52%, derrotando assim o ex-premiê da era Mubarak, Ahmed Shafiq, que por essa contagem teria tido 12.351.1874 votos, ou 48%. A Alta Comissão Eleitoral deve anunciar os resultados oficiais na quinta-feira.

Shafiq, por sua vez, rejeitou a vitória de Morsi. De acordo com seu porta-voz, Ahmed Sarhan, o militar da reserva venceu as eleições presidenciais com 51,5% dos votos. "Temos os números corretos. Temos certeza de que o próximo presidente do Egito será Ahmed Shafiq", disse Sarhan no Cairo, acusando a Irmandade Muçulmana de manipular os dados.

O Conselho Supremo das Forças Armadas, que controla o Egito desde a revolta que derrubou Hosni Mubarak há mais de um ano , parece que vem trabalhando já com a hipótese de vitória de Morsi. Desde as eleições, os generais têm divulgado uma série de decretos para reduzir o poder do presidente e fortalecer o do Exército.

Há dois dias, o Conselho aprovou uma série de emendas à Constituição provisória, vigente desde março de 2011, para blindar suas prerrogativas perante a iminente transferência do poder a um presidente eleito nas urnas, após as eleições do fim de semana.

Segundo essas remodelações, o Conselho conservará a autonomia nas decisões que afetem o Exército, além do poder legislativo que retomou após a dissolução do Parlamento na quinta-feira. O novo presidente será capaz de formar e dissolver o governo, ratificar e rejeitar leis e declarar guerra, mas apenas com a aprovação do Conselho.

Com EFE, BBC e AP

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